O fenômeno de Raynaud é um distúrbio vascular que afeta pre...
Gabarito comentado
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Tema central: Fenômeno de Raynaud é um vasoespasmo episódico das artérias/arteríolas digitais, desencadeado por frio ou estresse emocional, com mudança de cor típica (palidez → cianose → rubor). Na fisiopatogenia, há hiperatividade simpática e disfunção endotelial, resultando em vasoconstrição exagerada.
Alternativa correta: B
A resposta simpática aumentada, com maior sensibilidade dos receptores α2-adrenérgicos nas artérias digitais, provoca vasoconstrição excessiva frente a frio/estresse. Além disso, observa-se redução de vasodilatadores (óxido nítrico e prostaciclina) e aumento de vasoconstritores (endotelina-1), perpetuando o vasoespasmo. Isso explica os episódios transitórios e reversíveis, típicos do Raynaud primário. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate; diretrizes EULAR para manejo de fenômeno de Raynaud em esclerose sistêmica.
Análise das alternativas incorretas
- A) Fala em “inflamação generalizada” (vasculite) e necrose precoce. Incorreto: Raynaud é predominantemente funcional (vasoespástico), não inflamatório. Necrose pode ocorrer apenas em formas secundárias graves e tardias.
- C) “Vasodilatação permanente” com hiperemia constante. Errado: o evento central é vasoconstrição transitória, não vasodilatação permanente. O rubor é fase reativa, não contínua.
- D) “Aumento de óxido nítrico causando vasoespasmo”. Invertido: há diminuição de NO e prostaciclina e aumento de endotelina-1, o que favorece vasoconstrição. NO elevado não explicaria vasoespasmo.
- E) “Ocorre exclusivamente em doenças do tecido conjuntivo”. Falso: o Raynaud primário é comum em mulheres jovens sem doença sistêmica. O secundário associa-se a esclerose sistêmica, LES, etc., mas não é exclusivo.
Como raciocinar na prova: Diante de uma questão sobre fisiopatologia, procure termos-chave como “hiperatividade simpática”, “vasoconstrição digital” e “resposta ao frio/estresse”. Desconfie de descrições de vasculite difusa ou vasodilatação permanente.
Diagnóstico (resumo): Clínico, baseado em episódios desencadeados por frio/estresse e mudança de cor. Avaliar sinais de secundarismo: início >30 anos, sexo masculino, assimetria, úlceras digitais, capilaroscopia anormal, autoanticorpos (ANA). Doppler se suspeita de obstrução arterial.
Tratamento (prática): Medidas não farmacológicas (aquecimento, cessar tabagismo, evitar vasoconstrictores). Primeira linha: bloqueadores de canais de cálcio (nifedipina/amlodipina). Alternativas/adições: PDE-5 (sildenafila), losartana, nitroglicerina tópica; casos graves: iloprost, simpatectomia ou toxina botulínica. (UpToDate; EULAR).
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