Na opinião do autor, cidade e campo se opõem na medida em que
Leia o texto para responder à questão.
Quando criança, lembro da carroça passando em casa para deixar lenha; agora, seis décadas depois, todo dia toca a campainha e alguém oferece gás. A pequena mudança da energia que move o fogão caseiro simboliza o acelerado processo de transformação do Brasil. Do pacato país rural que abria os anos 1950, nos transformamos num país predominantemente urbano, que vive e produz inchado em grandes centros.
A cidade grande é um espaço abstrato, uma criação geométrica, que nos arranca de todos os laços mentais de natureza e vizinhança; a comunidade urbana é antes mental que física. Os compartimentos culturais e sociais isolados acabam por se tornar imperativos. Ao mesmo tempo, a grande cidade é a confluência do mundo; seu sonho é sair de si mesma e conversar com suas iguais, que estão em outros países, e não a dez quilômetros dali. A cidade é sempre globalizante; ela parece afirmar, com alguma arrogância, o triunfo do homem sobre a natureza, enquanto o campo é naturalmente conservador, como alguém que se submete, pela simples proximidade física, pela vizinhança avassaladora e pelo império do tempo, às regras simples, recorrentes, imutáveis e inexoráveis das estações do ano, das chuvas e secas.
Metaforicamente, o Brasil vive com um pé no campo e outro na cidade.
(Cristovão Tezza. “Mundo rural, mundo urbano, e o Brasil no meio”. 27.10.2014. www.gazetadopovo.com.br. Adaptado)
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Tema central: Interpretação de texto. Essa questão cobra do candidato a capacidade de identificar as relações de oposição estabelecidas entre cidade e campo pelo autor, analisando o sentido global e as afirmações centrais do texto.
Como resolver a questão: O texto utiliza vários marcadores semânticos que opõem cidade e campo. O autor explicita: “a cidade parece afirmar, com alguma arrogância, o triunfo do homem sobre a natureza, enquanto o campo é naturalmente conservador (...), às regras (...) das estações do ano, das chuvas e secas”. Isso evidencia que a cidade busca dominar a natureza, enquanto o campo se submete a ela.
Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D está correta, pois apresenta a oposição central do texto: a cidade busca dominar as forças da natureza, enquanto o campo se sujeita a elas. Essa relação também pode ser encontrada em gramáticas como Bechara, quando orienta que a interpretação textual exige atenção aos elementos comparativos e à argumentação do autor.
Análise das alternativas incorretas:
A) Não procede, pois o texto não afirma que o progresso tecnológico não chega ao campo. O foco não é na tecnologia, mas na experiência simbólica e social dos ambientes.
B) Errada: O texto chama a cidade de “criação geométrica”, mas não afirma que o campo é ordenado ou a cidade, desordenada.
C) Incorreta: Não há qualquer menção a características de personalidade (timidez ou reserva) de pessoas da cidade ou do campo.
E) Incorreta: O texto não compara oportunidades de convívio social entre campo e cidade.
Estratégias para provas: Na interpretação de textos, procure palavras-chave, conectivos de oposição (como “enquanto”), e tenha atenção ao que o texto realmente diz e ao que não diz (“leitura inferencial” segundo Koch, 2002). Evite levar para a resposta conhecimentos de mundo ou opiniões pessoais, focando apenas no texto.
Resumo da regra: Interpretação de texto exige captar ideias principais, oposições e relações de sentido, sem extrapolações não sustentadas pelo texto.
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GABARITO: LETRA D
? Resposta encontrada nesta parte: A cidade é sempre globalizante; ela parece afirmar, com alguma arrogância, o triunfo do homem sobre a natureza, enquanto o campo é naturalmente conservador, como alguém que se submete, pela simples proximidade física, pela vizinhança avassaladora e pelo império do tempo, às regras simples, recorrentes, imutáveis e inexoráveis das estações do ano, das chuvas e secas.
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FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
Assertiva D
a cidade busca dominar as forças da natureza, enquanto o campo se sujeita a elas.
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