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Ano: 2010 Banca: FUNCAB Órgão: IBRAM Prova: FUNCAB - 2010 - IBRAM - Assistente Técnico - z |
Q239159 Português
PIPOCA TAMBÉM COMBINA COM MUSEU!

Seu José, todo sábado e domingo pela tarde, chega
com a sua carrocinha de pipoca e fica parado em frente ao
MuseuNacional de BelasArtes, noRio de Janeiro.
Sabemos que o seu José está na porta do museu
pelo cheirinho quente e doce de suas pipocas fresquinhas
que, suavemente, adentram o museu. São pipocas tão
apetitosas que os visitantes dão uma pequena pausa para
comprar alguns deliciosos saquinhos de pipoca. Com o
simples ato de parar em frente ao museu, os visitantes têm o
raro momento de observar a fachada do Museu Nacional de
Belas Artes. Tratam-se de paredes compridas, imponentes,
as quais quase não são percebidas no dia a dia agitado do
centro da cidade carioca.
No momento que o visitante para em frente ao
museu ele temalguns instantes de pura paz. Dali, observa-se
também o Teatro Municipal, em frente ao museu. Olhando
para a esquerda, podemos ver a Cinelândia e a Biblioteca
Nacional. À direita, podemos observar a longa Avenida Rio
Branco, tão comprida que os nossos olhos se perdem em
meio aos altos prédios e ao silêncio habitual dos finais de
semana.
Mas, seu José é um jovem senhor que gosta muito
de seu ofício. Como pipoqueiro, ele sabe de todas as
atividades que acontecem nos finais de semana no Museu
Nacional de Belas Artes e no Teatro Municipal. Quando tem
tempo, ele aproveita para fazer uma visitinha ao museu nos
domingos, dia que a entrada é gratuita. Ele lembra também
que, no próximo domingo, o Teatro Municipal irá realizar mais
um espetáculo por apenas um real. Mas, o que é um real em
meio a umTeatro tão bonito como aquele? Seu José, como ar
saudoso, lembra que não existem mais profissionais como
antigamente, afinal, quem construiu aqueles prédios fez uma
das obras mais bonitas e, como ele mesmo diz, é uma beleza
de construção, cheia de detalhes, curvinhas, quadradinhos,
estátuas femininas e pinturas perfeitas feitas nas paredes e
colunas.
Todos estes elementos fazemdo prédio umdosmais
bonitos da região.
“Como deve ser difícil desenhar e esculpir tais
formas perfeitas! O artista tinha grandes habilidades!” (Diz
seu José).
Mas seu José também leva a família para visitar o
Museu. Somente a esposa não conhece oMuseu Nacional de
Belas Artes, pois, aos sábados e domingos, ela vai à igreja.
Mas, os filhos de seu José, sempre que tem alguma grande
exposição, comparecempara fazer uma visitinha.
Entre as histórias contadas, ele lembra da exposição
de Rodin, em que a fila dava voltas e voltas no quarteirão.
Uma fila saía do museu e contornava o prédio pela direita e
outra fila saía do prédio e o contornava pela esquerda. Nesta
exposição, todos os filhos do seu José vieram!
Para não abandonar a sua carrocinha de pipocas,
ele realiza mais de uma visita. Cada vez que ele entra no
museu, visita uma sala diferente. Em cada final de semana,
entra, rapidamente, numa parte da exposição. Segundo ele, o
museu temmuitas coisas bonitas para se ver.
Pois é..., mas, infelizmente, o seu José não pode
participar das mediações. Ele não tem tempo! Mas se ele
pudesse, seria muito legal! Ele entenderia as intenções do
artista.
Contudo, quem receberia o maior legado seria o
museu, pois ele tem toda propriedade para contar, para o Museu Nacional de BelasArtes, o que ele ouve dos visitantes
e como ele mesmo percebe o museu. Isso porque, como ele
vende suas deliciosas pipocas na porta domuseu há 25 anos,
muitas são as histórias que ele tempara contar!!! Vale lembrar
que o museu existe há 71 anos. Aliás, como era a Av. Rio
Branco há 71 anos atrás? Como as pessoas se vestiam?
Como viviam?
Mas... quão importante é, para nós, profissionais de
museus, sabermos como o museu é importante na vida de
seu José!
Afinal, Pipoca tambémcombina commuseu!
(in www.museologiahoje.com.br/revistamuseologiahojehtml)
Pela leitura do texto, é possível reconhecer que o autor do relato é um:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A resolução decorre da autoidentificação explícita do enunciador no trecho “Mas... quão importante é, para nós, profissionais de museus, sabermos como o museu é importante na vida de seu José!”, que o inclui no grupo dos profissionais de museus e exclui as demais opções.

Tema central: lugar de fala
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A se sustenta porque o próprio texto declara a identidade profissional do enunciador. A expressão “para nós, profissionais de museus” funciona como autoidentificação explícita de quem fala e é o elemento decisivo para reconhecer que o autor se inclui nesse grupo.
B
Errada
Está errada porque o texto não apresenta o enunciador como jornalista. Mesmo que relate fatos e um personagem real, isso não basta para caracterizar reportagem jornalística. O dado que exclui essa alternativa é explícito: “para nós, profissionais de museus”. Essa marca de pertencimento profissional contraria a identificação do autor como jornalista.
C
Errada
Está errada porque o texto menciona artistas, obras e exposições, mas o enunciador não se apresenta em nenhum momento como artista nem como alguém que expõe no museu. Há ausência de marca de autoria artística e presença de marca explícita de pertencimento ao campo profissional museal, o que elimina essa leitura.
D
Errada
Está errada porque o enunciador não aparece como simples transeunte, embora descreva o entorno urbano e cultural. A descrição da Cinelândia, da Biblioteca Nacional e da Avenida Rio Branco pode sugerir olhar de passante, mas essa inferência é anulada pela autodeclaração “para nós, profissionais de museus”, que define o lugar de fala de modo preciso.
E
Errada
Está errada porque demonstrar interesse por arte não transforma o enunciador em visitante. O texto trata de exposições, artistas e mediações, mas a identidade textual declarada é outra: a de profissional de museu. O erro da alternativa é trocar um traço possível de interesse cultural por uma identidade enunciativa que o próprio texto não atribui ao autor.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o tom narrativo/descritivo do texto e a identidade do autor. Quem ignora o trecho final pode marcar jornalista, visitante ou transeunte por impressão global, mas a autodeclaração “para nós, profissionais de museus” decide a questão.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão sobre quem fala no texto, procure primeiro marcas explícitas de 1ª pessoa e de pertencimento a grupo.
  • Não defina o autor pelo tom do texto antes de verificar se ele se identifica diretamente em algum trecho.
  • Diferencie interesse por arte, cultura ou cidade de identidade profissional declarada no enunciado.

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