Uma criança de 18 meses é encaminhada ao seu consult...
Uma criança de 18 meses é encaminhada ao seu consultório oftalmológico com diagnóstico de obstrução congênita do ducto nasolacrimal. Após avaliação detalhada, você constata:
Obstrução membranosa do ducto nasolacrimal; Estenose dos canalículos superior e inferior.
Os pais relatam epífora persistente desde o nascimento, com episódios recorrentes de conjuntivite. Tratamentos conservadores, incluindo massagem do saco lacrimal e antibióticos tópicos, não produziram melhora significativa.
Considerando a complexidade deste caso, envolvendo tanto obstrução do ducto nasolacrimal quanto estenose canalicular, qual das seguintes abordagens cirúrgicas seria a mais apropriada para o manejo desta condição?
Gabarito comentado
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Tema central: O caso aborda o manejo da obstrução congênita do ducto nasolacrimal associada à estenose canalicular em criança após insucesso do tratamento conservador.
Fundamentos clínicos: A obstrução das vias lacrimais em crianças geralmente resolve-se espontaneamente até 1 ano com massagem e higiene local. Persistindo sintomas como epífora e conjuntivites recorrentes — especialmente após terapia conservadora inadequada — o manejo cirúrgico passa a ser indicado.
Justificativa para a Alternativa Correta (C):
Intubação bicanalicular do ducto nasolacrimal é a conduta de escolha nesse contexto, pois trata simultaneamente a obstrução distal (ducto nasal) e a estenose dos canalículos. O procedimento utiliza um tubo de silicone envolvendo ambos canalículos, garantindo patência durante a cicatrização e prevenindo recidivas. Segundo o Manual MSD para Profissionais de Saúde: “... se a obstrução é recorrente, um tubo de silicone temporário pode ser inserido.”
Análise das alternativas incorretas:
A) Intubação bicanalicular combinada com dacriocistorrinostomia: Trata-se de cirurgia indicada em falhas graves múltiplas ou trauma, geralmente reservada para adultos ou casos extremos em crianças. A DCR é procedimento mais invasivo e raramente primeira escolha em crianças dessa faixa etária.
B) Intubação monocanalicular: Procedimento limitado, indicado quando há comprometimento apenas de um canalículo. Neste caso, ambos canalículos estão estenosados, o que inviabiliza a abordagem monocanalicular.
D) Dacriocistorrinostomia endoscópica sem intubação: Como na (A), trata-se de cirurgia mais complexa, de exceção para crianças após insucesso de técnicas menos invasivas. Não resolve adequadamente a estenose canalicular se não combinada à intubação.
Dicas para provas: Atenção a palavras-chave como “persistente”, “falha terapêutica” e múltiplos níveis de acometimento. Quando mais de um canalículo está envolvido e o paciente já fracassou no tratamento conservador, intubação bicanalicular é a conduta indicada.
Fontes confiáveis: Manual MSD – Dacriostenose; artigos dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia.
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