Uma paciente de 34 anos procura atendimento oftalmológico ...

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Q3330446 Medicina

Uma paciente de 34 anos procura atendimento oftalmológico com as seguintes queixas e achados: Queixas iniciais (há alguns meses): Diplopia intermitente, durando cerca de 30 minutos ao acordar; Sensação de pressão e irritação ao redor dos olhos. 


Exame inicial: Acuidade visual, teste de cores e campos visuais: normais; Pálpebra superior direita: alinhada com o limbo superior; Pálpebra superior esquerda: cobre 2 mm superiores da córnea; Leve hiperemia conjuntival bilateral, com quemose à esquerda; Versões oculares: normais; Teste de cobertura: pequena hipertropia esquerda (ou hipotropia direita) no olhar para cima; Sensibilidade corneana: normal.  


Evolução após alguns meses: Discreta ptose da pálpebra esquerda; Exotropia de 12 dioptrias prismáticas à distância; Limitação moderada da adução do olho direito; Ducções forçadas horizontais: normais 


Considerando a apresentação clínica inicial e sua evolução, qual é o diagnóstico mais provável para esta paciente? 

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso clínico aborda um quadro de miastenia gravis ocular, doença autoimune neuromuscular caracterizada por fraqueza flutuante e fatigável dos músculos voluntários, principalmente os extraoculares e palpebrais.

Justificativa da alternativa correta (B) - Miastenia gravis:

A paciente apresenta diplopia intermitente, ptose palpebral flutuante e fadiga muscular ocular, sintomas que tipicamente pioram após esforço e melhoram com repouso – padrão clássico da miastenia gravis, segundo o PCDT Miastenia Gravis do Ministério da Saúde (p. 10): “A flutuação e fatigabilidade são características-chave no diagnóstico”.

Além disso, a evolução mostra limitação variável da motilidade ocular, que é comum em MG, devido à alternância da fraqueza muscular. A ausência de anormalidades pupilares e de alterações de sensibilidade corneana reforça o diagnóstico.

Análise das alternativas incorretas:

A) Oftalmoplegia internuclear: Geralmente decorre de lesão do fascículo longitudinal medial (geralmente em esclerose múltipla ou AVC), causando limitação da adução em um olho e nistagmo abducente contralateral. Não apresenta evolução flutuante/fatigável como na MG.

C) Oftalmoplegia externa crônica progressiva: Distúrbio mitocondrial com progressão lenta, bilateral, associada a ptose e oftalmoplegia progressiva, porém sem diplopia flutuante e sem resposta significativa ao repouso, sendo pouco provável nesta paciente jovem com sintomatologia oscilante.

D) Agravamento de oftalmopatia de Graves: Cursa com sinais como proptose, retração palpebral e acometimento inflamatório, geralmente bilateral, sem característica flutuante e mais associado a alterações sistêmicas tireoidianas.

Estratégia de prova: Atenção à flutuação dos sintomas e ao padrão de fatigabilidade. As bancas costumam diferenciar MG de outras causas por esses detalhes!

Referências: Segundo o PCDT Miastenia Gravis (Ministério da Saúde, 2022, p. 10-12): “Os sinais oculares, como ptose e diplopia, são comuns na apresentação inicial, especialmente em adultos jovens”. Manual de Doenças (Goldman-Cecil; 2020) reforça a importância da fatigabilidade como elemento diagnóstico.

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