A tese defendida pelos autores é a de que

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Ano: 2008 Banca: UEG Órgão: TJ-GO Prova: UEG - 2008 - TJ-GO - Escrivão Judiciário |
Q425885 Português
Texto 2

ABAIXO O JURIDIQUÊS

Temos lido ultimamente em vários jornais da grande imprensa e em algumas publicações destinadas aos operadores do direito que não é aceitável manter-se o linguajar pomposo e rebuscado, posto que vetusto, dessas pessoas quando formulam seus pedidos, fazem suas acusações e julgam seus processos. Há que se ter, dizem os defensores do novo estilo, um canal de comunicação mais direto com a população que permita o entendimento desse linguajar por parte da cidadania a quem ele é dirigido.

Reconheça-se que aqui e ali há algum exagero. Embora vernaculares, há palavras que extrapolam o limite do conhecimento do homem médio. Mas resolvemos aderir. Recebemos, em nosso escritório, a visita de uma dupla de cultores do funk que nos apresentavam um problema de ordem familiar. O casal havia rompido de fato seus laços conjugais a partir do instante em que o varão descobrira estar sendo traído pela virago. Contratados, solicitamos ao marido que retornasse quarenta e oito horas depois para assinar conosco a peça vestibular que iríamos destinar ao magistrado.

Passados os dois dias, retornou o varão a quem foi dado o exame da inicial e foi solicitado que ele apusesse sua firma na folha derradeira do pedido endereçado ao juiz. Furioso, o ilustre cliente instou-nos a fazer um trabalho mais acessível ao seu nível de compreensão. Após o decurso de uma semana, em que nos fizemos assessorar por diferentes ramos da juventude hodierna, eis como ficou a inicial:

Ô da toga

Mano 13, fanqueiro, tô pedindo um barato louco porque tô separando da distinta.

Sô sangue bom.
Sô sinistro, mas a chapa tá quente.
A traíra se meteu com uns talarico.
Tô na fita, num dá mais.
A coisa tá irada, tá bombando e eu quero que teja tudo dominado.
E aí, lixo? Se tocou?
Fecha cum nóis. São Paulo, oje.
Assinado:
Adevogados.

Ainda não tivemos coragem de submeter essa petição ao Poder Jurisdicional. Ficamos na torcida pela reconciliação. Estamos em dúvida sobre qual será a reação do ínclito magistrado. Quem sabe tenha ele se adaptado aos novos tempos… Mas pode ser que ele se limite a despachar: “Com tal petição vê -se que a parte está indefesa no processo. Remeta-se à Comissão de Ética da OAB para que tome as providências que o caso requer”. É como daquele ditado: “Cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso”.

ROLLO, Alberto; ROLLO, Janine. Abaixo o juridiquês. Disponível em: < http://blog.jus.uol.com.br/paginalegal/2008/03/08/abaixo -o- juridiques/>. Acesso em: 20 maio 2008. [Adaptado].

A tese defendida pelos autores é a de que
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é que a tese autoral deve ser extraída do conjunto do texto, e não da opinião citada no início. A ironia e o fecho “Cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso” orientam a leitura para a adequação dos usos linguísticos a grupos e contextos, o que sustenta a alternativa A.

Tema central: adequação de linguagem
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A traduz a conclusão implícita do texto. Os autores encenam, de forma paródica, a substituição do registro jurídico por uma linguagem marcada por gírias de um grupo social específico e, ao final, mostram que essa troca não resolve o problema de comunicação: “Ainda não tivemos coragem de submeter essa petição ao Poder Jurisdicional”. O provérbio final — “Cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso” — generaliza a conclusão: diferentes grupos profissionais e sociais têm usos linguísticos próprios, e a questão central é a adequação ao contexto, não a simples eliminação de um registro.
B
Errada
A alternativa erra ao transformar em tese dos autores uma opinião apenas relatada no primeiro parágrafo: “dizem os defensores do novo estilo”. Esse trecho apresenta posição de terceiros, não a conclusão autoral. Além disso, “necessariamente” introduz uma obrigatoriedade que o texto não sustenta, porque a ironia posterior justamente desmonta a ideia de simplificação radical como solução suficiente.
C
Errada
A alternativa repete quase literalmente a formulação inicial sobre ser “não aceitável manter-se” o linguajar rebuscado, mas esse conteúdo aparece como debate referido pelos autores, não como sua tese final. O texto faz concessão parcial — “Reconheça-se que aqui e ali há algum exagero.” —, o que mostra crítica aos excessos, não adesão integral à rejeição categórica do registro jurídico rebuscado.
D
Errada
A alternativa atribui ao texto uma defesa de mudança profunda com abolição do “juridiquês”, mas isso é incompatível com o movimento argumentativo global. A petição em gíria funciona como paródia e redução ao absurdo, evidenciada por “Ainda não tivemos coragem de submeter essa petição ao Poder Jurisdicional”. Portanto, o texto não valida solução extrema; ao contrário, rejeita a troca mecânica de um registro marcado por outro.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar o título “ABAIXO O JURIDIQUÊS” como tese literal e confundir a posição dos “defensores do novo estilo”, citada no primeiro parágrafo, com a posição efetivamente assumida pelos autores após a ironia e o provérbio final.
Dica para questões semelhantes
  • Em texto argumentativo com ironia, não feche a resposta no primeiro parágrafo; verifique como o desenvolvimento e o desfecho reposicionam a tese.
  • Separe discurso relatado de posição autoral: expressões como “dizem” e “temos lido” podem introduzir tese alheia.
  • Quando houver paródia ou exagero, teste se o autor está aderindo à proposta ou expondo seu absurdo.
  • Use o fecho do texto como chave de tese quando ele generaliza a conclusão, como ocorre no provérbio final.

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O gabarito correto segundo o QC é a alternativa: A

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