Na introdução de sua obra História Moderna, Paulo Miceli di...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4154529 Português
Na introdução de sua obra História Moderna, Paulo Miceli discute as condições materiais que marcaram o início do período objeto de sua análise, com destaque para a dificuldade de comunicação entre as diferentes partes de um mundo que se ampliava. Ao analisar a velocidade e o custo da circulação de informações, o autor recorre a uma definição clássica de Fernand Braudel:
“As notícias representavam, assim, aquilo que o historiador francês Fernand Braudel chamou de 'mercadoria de luxo' e só apressavam seu passo à custa de tarifas absurdamente elevadas...” (Miceli, 2016, p. 8).
De acordo com o texto, quem eram os detentores desse “luxo” e qual era a realidade da comunicação para a sociedade da época?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência textual a partir da metáfora “mercadoria de luxo” articulada à oração “só apressavam seu passo à custa de tarifas absurdamente elevadas”. Nesse contexto, a rapidez da informação dependia de pagamento alto, de modo que o acesso à notícia veloz ficava restrito a quem podia arcar com esse custo.

Tema central: acesso desigual à informação
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra o sentido contextual de “luxo”. O texto não trata de estética, caligrafia, manuscritos iluminados, monges copistas nem colecionadores. O foco explicitado é a circulação de informações, sua velocidade e seu custo. Portanto, há mudança indevida de sentido da metáfora.
B
Errada
A alternativa introduz monopólio da Igreja Católica, proibição de informação secular e segredo geográfico acessível ao alto clero, mas nada disso aparece no texto. É uma extrapolação histórica sem base textual. O trecho permite inferir desigualdade de acesso por custo, não censura eclesiástica.
C
Errada
A alternativa atribui ironia ao uso de “mercadoria de luxo” e transforma a passagem em crítica à imprensa de Gutenberg e a jornais impressos. O texto não menciona imprensa, jornais nem nobreza alfabetizada. A expressão é usada para descrever o alto custo da notícia rápida, não para formular ironia.
D
Certa
A alternativa D acerta porque traduz o núcleo semântico do trecho: “mercadoria de luxo” não significa objeto bonito ou ironia, mas bem caro e restrito. Além disso, a oração “só apressavam seu passo à custa de tarifas absurdamente elevadas” vincula diretamente rapidez e alto custo. Dessa relação se infere que o acesso à notícia rápida era privilégio de grupos com poder econômico e político, ao passo que a situação geral da comunicação era de dificuldade, lentidão e insegurança.
E
Errada
A alternativa contradiz diretamente o trecho ao dizer que a rapidez da informação não dependia do dinheiro. O texto afirma o contrário: as notícias “só apressavam seu passo à custa de tarifas absurdamente elevadas”. Além disso, a referência à inexistência de correios organizados antes do século XIX não está no texto e não pode ser acrescentada.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o candidato entender “mercadoria de luxo” como luxo material ou como ironia, quando o contexto impõe sentido socioeconômico: notícia rápida era cara e, por isso, restrita a poucos.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto usa expressão figurada, defina seu sentido pelo contexto imediato, não por associações soltas da palavra.
  • Se o trecho liga um efeito a um custo, a inferência correta recai sobre quem pode pagar e quem fica excluído.
  • Elimine alternativas que tragam contextualização histórica não sustentada pelo texto-base.
  • Em comandos com duas partes, confirme se a alternativa responde às duas: quem detinha o privilégio e como era a comunicação para os demais.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo