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Q3954416 Filosofia
Em obras como De libero arbitrio e A Cidade de Deus, Agostinho de Hipona desenvolve uma explicação do mal que articula ontologia, liberdade e hierarquia dos bens. Sustenta-se que Deus, sendo sumamente bom, não pode ser causa do mal moral.
Considerando-se a concepção agostiniana do mal, dadas as afirmativas,

I. O mal não possui natureza substancial própria, consistindo na privação do bem.
II. O mal moral decorre do uso desordenado do livre-arbítrio.
III. O mal físico compromete a bondade da criação, pois introduz imperfeição na obra divina.
IV. A vontade humana peca quando prefere bens inferiores ao bem supremo, rompendo a ordem hierárquica do amor.



verifica-se que está/ão correta/s
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A questão se decide pela síntese agostiniana segundo a qual o mal é privação do bem, o mal moral nasce do uso desordenado do livre-arbítrio e o pecado consiste em preferir bens inferiores ao bem supremo. Com isso, I, II e IV são verdadeiras, enquanto III é falsa, o que conduz à alternativa D.

Tema central: mal em Agostinho
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque depende exclusivamente da afirmativa III, e III é falsa em Agostinho. A existência de males físicos ou de imperfeições finitas não autoriza concluir que a criação tenha sua bondade comprometida.
B
Errada
Incorreta porque, embora I e IV sejam verdadeiras, exclui II sem fundamento. Em Agostinho, o mal moral procede justamente do uso desordenado do livre-arbítrio, então II também deve ser incluída.
C
Errada
Incorreta porque inclui III, que é falsa, e deixa de fora I e IV, que são compatíveis com a doutrina agostiniana. O erro decisivo é tratar como correta a ideia de que o mal físico compromete a bondade da criação.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne exatamente as teses compatíveis com Agostinho. A afirmativa I está de acordo com a privatio boni: o mal não tem substância própria, mas consiste em privação do bem. A II também é correta porque o mal moral decorre do uso desordenado do livre-arbítrio, razão pela qual Deus, sendo sumamente bom, não é causa do mal moral. A IV igualmente corresponde à hierarquia dos bens: o pecado ocorre quando a vontade prefere bens inferiores ao bem supremo, rompendo a ordem reta do amor. Como III contraria a ideia de que a criação, enquanto obra divina, permanece boa, a combinação correta é I, II e IV.
E
Errada
Incorreta porque torna III verdadeira junto com as demais. Em Agostinho, não se pode afirmar que a presença de mal físico introduza defeito na bondade ontológica da criação.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi misturar mal moral com mal físico e, a partir disso, imputar à criação um defeito que comprometeria sua bondade. Outra armadilha real era esquecer que, para Agostinho, o mal não é substância, mas privação, e que o pecado depende da desordem na hierarquia dos bens.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão tratar do mal em Agostinho, verifique primeiro se o mal aparece como substância positiva ou como privação do bem; a posição correta é a segunda.
  • Quando surgir a origem do mal moral, procure a referência ao livre-arbítrio desordenado, não a Deus como causa do pecado.
  • Se houver menção à vontade e aos bens, aplique a hierarquia agostiniana: o erro moral está em preferir bens inferiores ao bem supremo.
  • Não conclua, em Agostinho, que a existência de males físicos destrói a bondade da criação enquanto obra divina.

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