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Q3506977 Medicina
Em relação à fisiopatologia e ao tratamento do Diabetes Melito tipo 2 (DM2), assinale a alternativa correta. 
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Tema central: fisiopatologia do DM2 e implicações terapêuticas. No DM2, coexistem resistência à insulina (músculo, fígado e tecido adiposo) e disfunção das células beta, levando à hiperglicemia em jejum e pós-prandial.

Alternativa correta: DO fígado aumenta a produção de glicose (glicogenólise e gliconeogênese) mesmo com níveis elevados de insulina, por resistência hepática à insulina. Esse fenômeno contribui diretamente para a hiperglicemia de jejum. Há “resistência seletiva”: a via que deveria inibir a produção de glicose fica prejudicada, enquanto a lipogênese pode permanecer relativamente preservada. Clinicamente, isso explica por que a metformina (que reduz a produção hepática de glicose) é fármaco de 1ª linha. (Referências: ADA/EASD Consensus 2022–2024; Harrison’s; UpToDate)

Análise das incorretas

A) “Exclusivamente” por mutações do receptor de insulina é falso. No DM2, a resistência é majoritariamente por defeitos pós-receptor (sinalização/transportadores de glicose), inflamação, lipotoxicidade e adipocinas; mutações do receptor são raras. Além disso, a falência beta também é determinante da hiperglicemia.

B) Gliflozinas (SGLT2i) não aumentam secreção de insulina. Seu mecanismo é bloquear a reabsorção renal de glicose no túbulo proximal, promovendo glicosúria. Correto afirmar que têm benefício renal e cardíaco comprovado (ex.: EMPA-REG, CREDENCE, DAPA-CKD), mas o mecanismo principal não envolve estímulo beta.

C) O defeito secretório não é tardio. Há perda precoce da 1ª fase de secreção de insulina já no pré-diabetes, progredindo ao longo do tempo. Portanto, não é “raro” nos primeiros anos. (Harrison’s; UpToDate)

E) Inibidores da DPP-4 não bloqueiam a reabsorção renal de glicose. Eles aumentam incretinas (GLP-1/GIP), elevando a secreção de insulina e reduzindo glucagon de forma glicose-dependente. Apresentam redução de HbA1c modesta (~0,5–0,7%), inferior à metformina (~1–1,5%) e, portanto, não têm eficácia semelhante como monoterapia.

Conduta prática (resumo): Metformina + mudanças no estilo de vida como 1ª linha. Em presença de DCV aterosclerótica, IC ou DRC, priorizar SGLT2i e/ou análogos de GLP-1 independentemente da HbA1c; DPP-4i são opção quando se busca baixo risco de hipoglicemia e neutralidade ponderal. (ADA/EASD 2022–2024)

Dica de prova: desconfie de termos absolutos como “exclusivamente” e “raro”; confira o mecanismo de ação de cada classe (SGLT2i = rim; DPP-4i = incretinas) e lembre-se do papel do fígado na hiperglicemia de jejum.

Fontes: ADA/EASD Consensus Report 2022–2024; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Type 2 diabetes mellitus: pathophysiology and treatment).

Gabarito: D

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