No último parágrafo do texto, é possível observar uma interl...

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Q2220138 Português
TEXTO 2


BURRICE NATURAL, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL



PRATA. Antônio. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/03/burrice-naturalinteligencia-artificial.shtml>. Acesso em: 02/04/2023 
No último parágrafo do texto, é possível observar uma interlocução entre a voz do autor da crônica e as vozes de Kelsey Piper e de Yuval Harari. A presença da voz do cronista, nas expressões entre parênteses, desvela, como efeito de sentido:
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não entendi, se alguém puder explicar agradeço

Gab- C ironia

Acredito que seja por ele expressar e logo em seguida com os parênteses , dar uma opinião questionadora:

"As empresas podem" (devem)

"os órgãos competentes " (esse "quais?", é um exemplo mais claro por indagar se há órgãos competentes para isso)

"o debate público" ("como" , no caso como seria um debate desse?)

LETRA C. Escrevi uma explicação para quem tem dificuldade de reconhecer ironia:

Ironias são sempre trechos de opinião questionadora irreverente, que mostram um humor trabalhado linguisticamente, de forma intencional.

Pensando nessa perpectiva, fica mais fácil de reconhecê-las. Nesse trecho, que usa ironia sutil, precisamos analisar parte por parte:

Opinião -questionamento -irreverência ----> um argumento lógico, analítico, impessoal.

Opinião; +questionamento - irreverência ----> um argumento crítico, reflexivo, reivindicatório.

Opinião + questionamento + irreverência ----> ironia, sarcasmo e deboche.

Antes, vejamos o que se entende por opinião questionadora irreverente em um exemplo bem simples. Leia, se tiver dificuldade em reconhecer ironia: você fica sabendo que um amigo está doente e manda mensagem para ele, perguntando se ele está bem, se precisa de alguma coisa de você. Como resposta a esse "precisa de alguma coisa?", ele diz, rindo de forma descontraída e simpática: "ah, preciso de um milhão de dólares! Ainda bem que você me perguntou!" Analisando a fala dele, vemos um exemplo de ironia: a resposta é opinativa, vai na contramão do esperado, com leveza e pouca seriedade.

Analisando a resposta da questão: os trechos entre parênteses desse texto são intervenções opinativas do cronista. Exemplo "podem (devem)". Os autores citados afirmam "podem", mas o cronista vai além, alterando o sentido original, inserindo opinião. Isso revela o caráter questionador do cronista, que não aceita passivamente o posicionamento de Piper e Harari e insere sua própria visão, que é diferente dos autores citados. Por fim, cabe analisar que a forma como ele insere essa opinião questionadora: não é uma forma padrão, denotativa e séria, mas sim descontraída, criativa e irreverente.

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