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Q3655170 Linguística
A abordagem linguístico-discursiva da gramática propõe uma leitura da linguagem como prática social e histórica, deslocando o foco das estruturas isoladas para os modos como essas estruturas ganham sentido em situações comunicativas reais. Essa perspectiva integra o funcionamento gramatical ao uso, concebendo a gramática como recurso textual-discursivo e não como sistema autônomo. Considerando tal abordagem, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Tema central: A questão trata da perspectiva linguístico-discursiva da gramática, que entende a linguagem como prática social e histórica. O foco está em compreender como as estruturas gramaticais ganham sentido efetivo em situações comunicativas reais e não como um sistema isolado de regras formais.

Explicação didática: Nessa abordagem, fundamentada em autores como Eni Orlandi e Michael Halliday, a gramática é considerada um recurso textual-discursivo, ou seja, um conjunto de possibilidades empregadas estrategicamente pelos falantes para produzir sentidos e negociar significados em contextos específicos. Assim, a análise discursiva valoriza a interação, o contexto, as intenções dos interlocutores e as relações sociais manifestadas por meio das escolhas linguísticas.

Alternativa correta – Justificativa:

D) Ao reconhecer a dimensão interacional da linguagem, a abordagem discursiva enfoca as estruturas gramaticais como escolhas motivadas por propósitos comunicativos e estratégias de negociação de sentidos, em contextos situados.

Esta alternativa está alinhada à perspectiva discursiva, pois ressalta o caráter interacional/integrado da linguagem. A gramática não é neutra nem fixa, mas sim dinâmica e estratégica, sempre relacionada aos objetivos comunicativos e ao contexto histórico-social da enunciação.

Análise das alternativas incorretas:

A) Ao afirmar que a gramática opera em regime de neutralidade ideológica e independente de condições históricas, contraria todos os princípios discursivos. A linguagem é profundamente marcada por ideologia e historicidade (Orlandi).

B) A defesa da estabilidade normativa da gramática tradicional é típica de uma visão normativo-prescritivista, não discursiva. No discurso, frequentes desvios e variações enriquecem o texto e participam da construção de sentidos.

C) Focar na materialidade formal do texto como anterior aos sentidos representa a tradição estruturalista, e não a perspectiva discursiva. Para o discurso, forma e sentido caminham juntos e dependem do contexto comunicativo.

Estratégia de prova: Fique atento a palavras como neutralidade, regras internas, estabilidade normativa, precedência formal — geralmente indicam visões tradicionais e não discursivas! Procure sempre as alternativas que promovem a dinamicidade, interatividade e contextualização do uso linguístico.

Conclusão: O domínio da Análise do Discurso exige olhar para a gramática como recurso vivo, estratégico, ligado ao contexto e à negociação de sentidos. Isso traz mais profundidade crítica ao seu trabalho docente e à sua atuação em concursos!

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