Paciente de 7 anos, masculino, branco, chega ao pronto- -so...
O exame oftalmológico mostrou: AV sc OD: 20/60 OE: 20/20
Biomicroscopia: OD: edema palpebral ++++, quemose, hemorragia subconjuntival e proptose.
OE: sem alterações.
Fundoscopia: sem alterações AO.
A principal hipótese diagnóstica para esse caso é:
Gabarito comentado
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Gabarito: A – Celulite orbitária
Tema central: infecção orbitária na infância secundária à sinusite. Diferenciar celulite orbitária (pós-septal) de celulite pré-septal é crucial. Sinais de acometimento orbitário: proptose, quemose (edema conjuntival), baixa acuidade visual, dor à movimentação ocular e/ou oftalmoplegia, às vezes defeito pupilar aferente.
Por que A é a correta: criança com sinusite recente e febre, apresentando proptose, quemose, hemorragia subconjuntival e redução da AV (20/60) no OD — conjunto típico de celulite orbitária. A fisiopatologia envolve disseminação de etmoidite pela lâmina papirácea para a órbita. A fundoscopia normal não exclui o diagnóstico em fases iniciais.
Exames e conduta recomendada: solicitar TC de órbita e seios paranasais com contraste (avalia subperiosteal/abscesso), hemograma e hemoculturas. Iniciar antibioticoterapia venosa de amplo espectro imediatamente: opções usuais incluem ampicilina-sulbactam ou ceftriaxona + clindamicina; considerar vancomicina se risco de MRSA e metronidazol se suspeita de anaeróbios/complicação intracraniana. Avaliação conjunta com Otorrino e Oftalmo; drenagem cirúrgica se abscesso, piora ou sem melhora em 24–48 h, ou se ameaça visual. (Fontes: UpToDate; AAO Preferred Practice Pattern “Orbital Cellulitis”; Diretrizes SBP para infecção orbitária associada à sinusite).
Análise das incorretas:
B) Dacriocistite aguda: edema doloroso inferomedial no canto interno, epífora e secreção pelo ponto lacrimal. Não causa proptose/quemose ou queda de AV. Incompatível com os achados.
C) Trombose do seio cavernoso: quadro geralmente bilateral, toxemia, cefaleia intensa e paresias de III, IV, VI e V1/V2. Pode ter papiledema. No caso, os sinais são unilaterais e típicos de foco orbitário por sinusite.
D) Celulite pré-septal: infecção anterior ao septo. Há edema palpebral, porém sem proptose, sem quemose importante, sem redução de AV e sem dor �� movimentação ocular. Portanto, não explica o quadro.
E) Síndrome de Tolosa-Hunt: oftalmoplegia dolorosa por inflamação granulomatosa do seio cavernoso/fissura orbitária superior, tipicamente em adultos, sem febre/sinusite e com resposta dramática a corticoide. Não se encaixa no perfil pediátrico infeccioso agudo.
Dica de prova (pegadinha): em crianças com sinusite, memorize os “3 sinais orbitários” — proptose, dor/limitação ocular e baixa AV. A presença de qualquer um já afasta pré-septal e indica investigação e antibiótico EV imediatos.
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