É plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verb...

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Q3884589 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


"Que menino especula!"


   Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: - Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino "especula" não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: - Mas perguntar não ofende...

  Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um "speculum", que fixavam no chão apontado para o alto. Na superfície plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astrônomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrônomos foram grandes especulas.

   Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o princípio mesmo da inquirição filosófica.

  Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, do tempo cósmico, do destino das esferas - coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os eternos meninos especulas. 


(Alceblades Villanova, a editar)
É plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verbais na seguinte construção:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a correlação entre tempos e modos verbais em eixo pretérito, com expectativa ou finalidade projetada a partir desse passado. O trecho "Os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares." estabelece esse padrão; por isso, em C, "analisavam" se articula corretamente com "na esperança de que viessem a entender", mantendo a compatibilidade temporal e modal exigida.

Tema central: correlação verbal
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está no uso indevido do pretérito imperfeito do subjuntivo em "houvesse" e "ensinasse". Em "Estou interessado em saber o que...", o contexto é assertivo e cognitivo, não de hipótese, condição, desejo ou incerteza que justificasse o subjuntivo. A correlação adequada pediria formas do indicativo.
B
Errada
Há quebra de correlação temporal. A construção começa no passado, com "Eu entendi", e segue com "não devesse", ainda no eixo pretérito, mas rompe esse eixo ao empregar "sou" no presente. Essa mudança desloca indevidamente a referência temporal da frase.
C
Certa
A alternativa C mantém a sequência verbal exigida: a oração principal está no pretérito imperfeito do indicativo, "analisavam", indicando ação habitual no passado, e a subordinada "na esperança de que viessem a entender" expressa expectativa projetada a partir desse mesmo passado. Essa articulação é compatível tanto do ponto de vista temporal quanto modal e reproduz corretamente a lógica presente no texto-base.
D
Errada
O problema está na flexão verbal de "pretendam". Com a principal no pretérito imperfeito, "valiam-se", a ideia de intenção habitual no passado exige forma pretérita compatível, não presente do subjuntivo. A forma usada quebra a correlação verbal.
E
Errada
A alternativa mistura tempos sem nexo temporal adequado: "passou" está no pretérito perfeito, "formulara" no mais-que-perfeito e "instiguem" no presente do subjuntivo. Essa sequência é desconexa. Além disso, o texto-base traz definição em presente atemporal: "que formula hipóteses e elabora ideias", o que contrasta com a reescrita proposta.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de o candidato aceitar formas que soam formais ou se aproximam lexicalmente do texto, sem verificar se todos os verbos da alternativa permanecem no mesmo eixo temporal e modal; em especial, um único verbo destoante já invalida a construção.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique o eixo temporal da frase principal: aqui, o passado é o ponto de partida da correlação.
  • Verifique se a subordinada expressa fato, hipótese, finalidade ou expectativa; isso define se o modo e o tempo verbal usados são compatíveis.
  • Não valide a alternativa pela semelhança com o texto-base: confirme verbo por verbo.
  • Desconfie de misturas como passado narrativo com presente isolado ou com mais-que-perfeito sem anterioridade clara.

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Comentários

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A) Estou interessado em saber o que houvesse entre o céu e a terra, além do que ensinasse a nossa filosofia.

“estou” → presente do indicativo

“houvesse” / “ensinasse” → pretérito imperfeito do subjuntivo

Inadequação: não há elemento que justifique o uso do subjuntivo no passado.

O esperado seria “há” / “existe” e “ensina”.

Incorreta.

B) Eu entendi que ser especula não devesse ser muito elogioso, sobretudo quando sou assim acusado.

“entendi” → pretérito perfeito

“não devesse ser” → pretérito imperfeito do subjuntivo

Falta de paralelismo: o correto seria “não devia ser” (indicativo).

Além disso, há problema estrutural em “ser especula”.

Incorreta.

C) Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu.

“analisavam” → pretérito imperfeito do indicativo

“viessem a entender” → pretérito imperfeito do subjuntivo

Correlação adequada: a locução “na esperança de que” exige subjuntivo.

Há coerência temporal (ação passada + expectativa no passado).

Correta.

D) Os antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar a posição e os movimentos dos astros.

“valiam-se” → pretérito imperfeito do indicativo

“pretendam” → presente do subjuntivo

Incompatibilidade temporal: o correto seria “pretendiam”.

Incorreta.

E) Especular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana.

“passou” → pretérito perfeito

“formulara” → pretérito mais-que-perfeito

“instiguem” → presente do subjuntivo

Mistura incoerente de tempos.

Incorreta.

C

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