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Ano: 2025 Banca: UFPR Órgão: UFPR Prova: UFPR - 2025 - UFPR - Médico - Clínico Geral |
Q3507021 Medicina
O câncer colorretal é uma preocupação crescente no mundo todo, apresentando um aumento significativo de casos, especialmente entre adultos jovens. Em 2020, foram registrados 2 milhões de novos casos, e a previsão é de que, até 2040, haja 3,2 milhões de novos casos e 1,6 milhão de mortes. Sobre os fatores de risco e o tratamento do câncer colorretal, assinale a alternativa correta.  
Alternativas

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Tema central: fatores de risco e estratégias terapêuticas no câncer colorretal (CCR), com atenção a exposições modificáveis (tabagismo, álcool, síndrome metabólica) e à eficácia de abordagens cirúrgicas e neoadjuvantes.

Alternativa correta: BO tabagismo pode causar disbiose da microbiota intestinal, contribuindo para carcinogênese. O fumo altera a diversidade bacteriana, favorece espécies pró-inflamatórias (ex.: Fusobacterium nucleatum) e produtos genotóxicos, promovendo inflamação crônica, estresse oxidativo e instabilidade epitelial, o que facilita o surgimento de adenomas e sua progressão a câncer. Evidências epidemiológicas também associam tabagismo a maior risco de CCR e adenomas avançados (IARC/OMS; UpToDate; Harrison’s). A disbiose é um mecanismo plausível e cada vez mais documentado em estudos translacionais.

Análise das alternativas incorretas

A — “Existe uma associação entre síndrome metabólica e mortalidade.” Embora a síndrome metabólica aumente o risco de incidência de CCR, a associação com mortalidade (global ou específica por câncer) é inconsistente entre estudos e fortemente sujeita a confusão por estágio tumoral e tratamentos. Diretrizes (NCCN/ESMO) não utilizam síndrome metabólica como fator prognóstico estabelecido para mortalidade; portanto, a afirmação ampla não se sustenta como correta em prova.

C — “Quimioterapia neoadjuvante é ineficaz.” Falso. No câncer de reto, a quimiorradioterapia neoadjuvante e as estratégias de terapia total neoadjuvante (TNT) melhoram controle local, taxas de resposta patológica completa e preservação esfincteriana, com impacto em desfechos oncológicos (NCCN/ESMO/ASCO). Para cólon, neoadjuvância é seletiva (T4b, tumores localmente avançados), mas não “ineficaz”.

D — “Cirurgia laparoscópica é inferior à aberta.” Incorreto. Ensaios randomizados (COST, COLOR, CLASICC) mostram não inferioridade oncológica da laparoscopia em colon (margens, linfonodos, recorrência e sobrevida), com recuperação mais rápida e menos dor. Para reto, a seleção adequada é essencial, mas não há inferiodade intrínseca.

E — “Álcool carece de vínculos com mortalidade.” Falso. O álcool está associado ao aumento de incidência de CCR e a piora de mortalidade (especialmente consumo pesado), com relação dose-resposta em meta-análises; a OMS/IARC classifica álcool como carcinógeno para CCR.

Estratégia para a prova: identifique palavras-âncora. Em CCR, “tabagismo” e “álcool” costumam ser fatores de risco estabelecidos; “neoadjuvante ineficaz” e “laparoscópica inferior” soam como generalizações incorretas. Cuidado com afirmações amplas sobre “mortalidade” sem qualificador (muitas vezes a evidência é para incidência, não prognóstico).

Referências sucintas: UpToDate (Risk factors and prevention of colorectal cancer); IARC/OMS (Tabaco e Álcool como carcinógenos); NCCN/ESMO Retal Cancer Guidelines (neoadjuvância/TNT); Ensaios COST, COLOR, CLASICC (cirurgia laparoscópica).

Gabarito: B

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