A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e ...
"Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".
A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.
No texto de Voltaire, o emprego redundante da expressão 'se não tivésseis' (último período) sugere que, para o autor, a força estética da composição está em segundo plano, ao contrário do que ocorre no texto de Machado de Assis, marcado pela fluidez e pela espontaneidade da linguagem nos diálogos entre as personagens.
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REPETIÇÃO EXAUSTIVA= RECURSO ESTILÍSTICO CUJO NOME É ANÁFORA, PORTANTO A FORÇA ESTÉTICA DA COMPOSIÇÃO NAO SE ENCONTRA EM SEGUNDO PLANO , HAJA VISTA QUE A REPETIÇÃO É O PRÓPRIO RECURSO ESTILÍSTICO
'se não tivésseis' está exercendo um paralelismo sintático, e não uma redundância.
No meu ver
Onde está o erro?
- A repetição em Voltaire é de propósito e tem valor artístico:
- Quando Voltaire repete "se não tivésseis sido expulso... se não tivésseis sido submetido... se não tivésseis percorrido...", ele está usando uma figura de linguagem chamada anáfora (que é o ato de repetir a mesma palavra no começo de várias frases seguidas).
- Ele faz isso de propósito para dar ritmo e criar um efeito cômico de "bola de neve", mostrando o tamanho da lista de desgraças que o personagem sofreu. Isso é pura arte e técnica de escrita (força estética), e não desleixo.
- O texto de Machado de Assis também é super planejado:
- Embora o diálogo de Machado pareça natural, fluido e espontâneo, ele é extremamente trabalhado e calculado palavra por palavra para criar a ironia fina do autor. Não é apenas "espontaneidade" sem cuidado estético.
Portanto, a banca errou ao dizer que Voltaire deixou a beleza do texto de lado por causa dessa repetição.
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