Cai chuvosa a manhã sobre o jardim... No final duma ladeira lamosa e junto de uma cruz, verde e negra
de umidade, está a porta de madeira carcomida que dá entrada ao recinto abandonado. Mais a frente há uma
ponte de pedra cinzenta e na distância brumosa, uma montanha nevada. No fundo do vale e entre penhas corre
o rio manso cantarolando sua velha canção.
Em um nicho negro que há junto da porta, dois velhos com capas rasgadas aquecem-se ao lume de uns
tições mal acesos... O interior do recinto é angustiante e desolado. A chuva acentua mais esta impressão.
Escorrega-se com facilidade. No chão, há grandes troncos mortos... As paredes, altas e amareladas, estão
cruzadas de gretas enormes, pelas quais saem lagartixas que passeiam formando, com seus corpos, arabescos
indecifráveis. No fundo há um resto de claustro, com heras e flores secas, com as colunas inclinadas. Nas fendas
das pedras desmoronadas há flores amarelas cheias de gotas de chuva; no chão há charcos de umidade entre as
ervas...
Não restam mais do que as altas paredes onde houve claustros soberbos que viram procissões com
custódias de ouro entre a magnífica seriedade dos tapetes…