Uma mulher de 35 anos de idade, portadora da síndrome de imu...

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Ano: 2006 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MI
Q1196626 Medicina
Uma mulher de 35 anos de idade, portadora da síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS) está em uso de terapia anti-retroviral combinada (dupla). Ela apresentou no passado quadro clínico e radiológico (tomografia computadorizada) compatível com toxoplasmose cerebral — em tratamento profilático. Procurou atendimento médico devido a estar apresentando febre, falta de ar e tosse não produtiva. O exame físico mostrou paciente taquipnéica, febril e com discretos estertores em terço inferior de ambos os hemitóraces. A radiografia de tórax evidenciou infiltrado intersticial difuso bilateral. A avaliação respiratória mostrou pressão parcial de oxigênio no sangue arterial igual (PaO2) de 58 mmHg e gradiente alveoloarterial de oxigênio [P(A-a) O2] de 35 mmHg; dosagem sérica de desidrogenase lática (DHL) = 625 UI/L (valores de referência de 200 UI/L a 380 UI/L); contagem de linfócitos T-CD4+ igual a 150 células/mm3 e carga viral de 35.000 cópias/mL.
Com base nas informações desse quadro clínico hipotético, julgue o item que se segue.
A anfotericina B é o antimicrobiano de primeira escolha para o tratamento do quadro respiratório apresentado.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Comentário:

O tema central desta questão é o manejo da pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP) em paciente com HIV/AIDS, reconhecendo corretamente o agente etiológico e o tratamento de escolha segundo protocolos oficiais.

Justificativa da alternativa correta:
A paciente descrita apresenta sinais típicos de PCP: imunossupressão avançada (CD4+ = 150 células/mm³), sintomas respiratórios (tosse seca, dispneia, febre), infiltrado intersticial bilateral à radiografia e elevação de DHL (>500 UI/L), quadro este clássico de PCP em HIV. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos do Ministério da Saúde (p. 91-92): “O tratamento de escolha para a PCP é sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP)…” Associam-se corticosteroides sistêmicos se a PaO2 for < 70 mmHg (neste caso, 58 mmHg).

A anfotericina B não é eficaz contra o Pneumocystis jirovecii; trata outras infecções fúngicas invasivas (ex: criptococose, histoplasmose), mas não a PCP. Isso é amplamente confirmado em obras de referência como Harrison's Principles of Internal Medicine e revisões do UpToDate.

Pontos que eliminam a alternativa “Certo”:
- SMX-TMP é a droga padrão para PCP.
- Anfotericina B não tem eficácia documentada contra Pneumocystis jirovecii.
- Diretrizes nacionais e internacionais não recomendam uso de anfotericina B em PCP.

Análise crítica das alternativas:
C) Certo: Errada, pois recomenda o antimicrobiano inadequado.
E) Errado: Correta, pois identifica a falha do uso da anfotericina B nesta situação clínica.

Estratégia para provas:
Fique atento para questões que relacionam drogas antifúngicas clássicas (como anfotericina B) a infecções como PCP – trata-se de uma pegadinha frequente. Sempre associe PCP a SMX-TMP, histoplasmose e criptococose à anfotericina B.

Segundo o Ministério da Saúde (p. 91): “O tratamento padrão do PCP é sulfametoxazol-trimetoprima... Anfotericina B não é recomendada.”

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