Sobre a conduta em lesões traumáticas que comprometem grand...
I. A avaliação clínica e o uso de doppler portátil ajudam a detectar déficit de perfusão.
II. Lesões arteriais extensas podem exigir procedimentos de reconstrução vascular.
III. A compressão local no sangramento pulsátil é contraindicada para evitar isquemia.
IV. A prevenção de coagulopatia traumática deve ser considerada em casos graves.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Gabarito comentado
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Tema central: abordagem inicial e conduta em trauma de grandes vasos, incluindo avaliação de perfusão, controle de hemorragia, indicação de reconstrução vascular e prevenção da coagulopatia traumática.
Gabarito: Alternativa A (I, II e IV)
I – Correta. Na suspeita de lesão vascular, a avaliação clínica (pulsos, coloração, temperatura, dor desproporcional, parestesia) associada ao Doppler portátil é fundamental para detectar déficit de perfusão. O Índice Tornozelo-Braço (ITB) com Doppler ajuda a triagem: ITB < 0,9 sugere lesão arterial e indica imagem (ex.: angio-TC) ou exploração, conforme os “sinais duros”. Referência: ATLS 10ª ed.; UpToDate – Evaluation and management of extremity vascular injury.
II – Correta. Lesões arteriais extensas frequentemente exigem reconstrução vascular: interposição de enxerto (safena/ PTFE), bypass ou, em cenários selecionados, stent-graft endovascular. Em choque/contaminação, aplica-se damage control vascular com shunt temporário. Diretrizes EAST/ WTA recomendam revascularização rápida para reduzir isquemia e perda de membro.
IV – Correta. A prevenção/atenuação da coagulopatia traumática integra a ressuscitação de controle de danos: aquecimento, transfusão balanceada (ex.: 1:1:1), TXA precoce (até 3 h; CRASH-2), permissão de hipotensão em hemorragia não controlada (exceto TCE), correção de hipocalcemia e acidose. Referências: ATLS; ACS TQIP; UpToDate – Trauma-induced coagulopathy.
Por que a III é incorreta (armadilha frequente): Compressão direta é a primeira medida para sangramento pulsátil em extremidades e não é contraindicada. Se ineficaz, usa-se torniquete adequadamente posicionado e tempo monitorado. Evita-se pinçamento às cegas. Diretriz ATLS e programa “Stop the Bleed”.
Análise das alternativas:
B (I e III): Falha porque a III é falsa; compressão direta é indicada e salva-vidas.
C (II, III e IV): Mesma falha: inclui a III, que contraria as diretrizes.
D (I, II, III e IV): Incorreta pela presença da III.
Estratégia para a prova: identifique “sinais duros” de lesão arterial (sangramento pulsátil, hematoma expansivo, sopro/frêmito, isquemia com os 6 Ps, ausência de pulso) → exploração cirúrgica imediata ou controle endovascular, sem atrasar com exames. “Sinais brandos” → Doppler/ITB e angio-TC. Lembre: pressão direta primeiro, torniquete se necessário, e pense sempre em coagulopatia do trauma.
Referências essenciais: ATLS 10ª ed.; EAST/WTA Guidelines on Peripheral Vascular Injury; UpToDate (Vascular trauma; Trauma-induced coagulopathy); CRASH-2 Trial; ACS TQIP Massive Transfusion.
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