Assim, se não havia mais tribunais bilaterais, os ingleses ...

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Q3654598 História
Assim, se não havia mais tribunais bilaterais, os ingleses levariam os navios a julgamento em seus próprios tribunais, sob acusação de pirataria. Era esse o teor do Ato Aberdeen, de 1845. Na verdade, desde 1840 as apreensões e julgamento dos navios já se processavam assim, mas extraoficialmente. E o tráfico só faria aumentar em volume nos anos seguintes. Na política brasileira, o cenário era muito complexo, objeto de estudo de vários autores. A campanha britânica de repressão ao tráfico, com excessos e ilegalidades, acabava inibindo sua defesa pública e dando razão à opinião pró-tráfico, que se revestia de argumentos nacionalistas. Na verdade, havia em jogo projetos conflitantes para o Brasil.
MAMIGONIAN, Beatriz. Abolição do tráfico de escravos - 170 anos da Lei Eusébio de Queirós. Companhia das Letras: São Paulo. Edição Breve Companhia e-book. 2017.
Sobre o contexto histórico do Brasil Império, assinale a alternativa correta.
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Alternativa correta: D

Tema central: trata-se das posições políticas no Brasil Imperial diante do tráfico transatlântico de escravizados (Ato Aberdeen 1845; Lei Eusébio de Queirós, 1850). É preciso distinguir tráfico internacional (importação) da manutenção da escravidão interna e identificar os motivos — econômicos, políticos e raciais — que orientavam liberais e conservadores.

Resumo teórico: os conservadores representavam os interesses dos grandes proprietários escravistas, defendendo a manutenção do sistema escravista. Parte dos liberais, especialmente os "liberais nacionalistas", apoiavam o fim do comércio transatlântico por razões econômicas e demográficas: queriam incentivar a imigração europeia e a transição para trabalho assalariado urbano/rural; muitos, porém, tinham posicionamentos racistas que rejeitavam a presença de africanos.

Por que D está correta: a alternativa sintetiza corretamente uma posição real do liberalismo imperial: oposição ao tráfico (não necessariamente à escravidão imediata), combinada com preferência por imigração europeia e recusa à presença contínua de africanos livres ou em grande número. Isso explica apoio liberal a medidas como a repressão ao tráfico e políticas de incentivo à imigração.

Análise das incorretas:

A: Errada — o grupo conservador NÃO era contrário à escravidão; ao contrário, defendia o regime escravista e os interesses dos grandes senhores. Conservadores não promoviam, em bloco, imigração europeia como substituto.

B: Errada — as posições pró-escravidão estavam mais associadas aos conservadores e proprietários; liberais lucravam menos diretamente com o trabalho escravizado e, em parte, defendiam o fim do tráfico.

C: Errada — houve pressões e críticas internas ao tráfico; existiam correntes abolicionistas e opositores ao comércio de escravizados no país, além da reação diplomática inglesa, de modo que a escalada das tensões não se deu pela ausência total de oposição nacional.

Estrategia de prova: procure palavras-chave: “contrário ao tráfico” vs. “contrário à escravidão”; identifique sujeito político (liberais x conservadores) e o motivo (econômico vs. racial). Desconfie de alternativas que invertem quem defendia o status quo.

Fontes: Mamigonian, Beatriz. Abolição do tráfico de escravos (2017); Lei Eusébio de Queirós (1850); estudos clássicos sobre o Império (José Murilo de Carvalho, Emília Viotti da Costa).

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