O narrador do texto é:

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Q1731384 Português
Texto : Ele entrou, trazendo ainda nos olhos a fadiga da noite ruim, quase passada em claro, no vaivém da rede, que participava de sua inquietação e de seu nervoso, agitando-se num balanço seco e rangedor, ram, rem, ram, rem!...como se estivesse também neurastênica e exausta. Durante a vigília triste mais do que nunca o atormentara a angústia de seu isolamento, a medonha desolação em que andava a sua vida. A seca, com aquele sol eterno, Conceição com sua indiferença tão fria e longínqua, e o gado moribundo, os roçados calcinados, tudo crescia a seus olhos, na sombra espessa do quarto, em desmedidas proporções de pesadelo. Afinal sua energia e sua paciência se revoltavam; naquela hora de opressão, o que queria era uma solução cortante, rápida, que acabasse de vez com a espera sem fim dum ano tão comprido e tão mau.  
(Queiroz, R. O quinze. https://vivelatinoamerica.files.wordpress.com/2016/03/o_quinze _obra_-_rachel_de_queiroz.pdf)


O narrador do texto é:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e identificação do tipo de narrador, especialmente a distinção entre narrador em primeira pessoa, testemunha e onisciente seletivo.

Análise da alternativa correta – D:

A alternativa D aponta o narrador onisciente seletivo, cuja principal característica é a narração em terceira pessoa com acesso privilegiado aos pensamentos e sentimentos de um personagem específico. Esse tipo de narrador frequentemente utiliza o discurso indireto livre, que mescla a voz do narrador à da personagem focalizada, sem marcas claras de citação. Note como no texto os sentimentos profundos e impressões da personagem são apresentados, mesmo que a narrativa seja feita em terceira pessoa.

Segundo a gramática referencial de Lindley Cintra e Celso Cunha, o narrador onisciente "acompanha os acontecimentos e penetra no íntimo de um ou mais personagens", o que fica claro em trechos como: "Durante a vigília triste mais do que nunca o atormentara a angústia de seu isolamento..." O leitor tem acesso à análise interna do personagem, característica fundamental do narrador onisciente seletivo.

Análise das alternativas incorretas:

A) Narrador protagonista: incorreta pois não há uso da primeira pessoa (“eu”). O narrador não é a própria personagem, mas observa-a de fora.

B) Narrador testemunha: corresponde a um personagem secundário, com pouca penetração psicológica em outros personagens. No texto, temos um narrador que adentra o íntimo da personagem principal.

C) Narrador em primeira pessoa: errada pelas mesmas razões que a alternativa A; todas as frases estão construídas na terceira pessoa.

Dicas de interpretação:

  • Observe os pronomes e verbos; se a narração for em terceira pessoa E houver acesso aos pensamentos de um personagem, trata-se do onisciente seletivo.
  • O discurso indireto livre pode confundir: mescla pensamentos do personagem ao relato do narrador sem travessões ou aspas, sutileza frequente em provas de concurso.

Resumo da regra: Narrador onisciente seletivo: narra em 3ª pessoa, conhece a fundo um personagem e emprega, por vezes, discurso indireto livre.

Referências: Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), Bechara (Moderna Gramática Portuguesa).

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