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Q3126360 Medicina
    Um médico foi chamado para avaliação cardiológica periprocedimento de um paciente de 60 anos de idade, do sexo masculino, acometido por hipertensão arterial sistêmica e há 20 anos em uso de enalapril e de anlodipino. O paciente estava assintomático no momento, em uso regular das medicações. Encontrava‑se, também, em programação de realização de cirurgia de catarata. Trouxe exames laboratoriais sem alterações significativas e eletrocardiograma em ritmo sinusal.

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta as recomendações adequadas a serem dadas para esse paciente.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: avaliação cardiológica perioperatória para cirurgia de catarata (procedimento muito baixo risco cardíaco) em paciente hipertenso controlado, assintomático e com ECG normal. Nessas situações, evita-se exames desnecessários e prioriza-se a continuidade das medicações habituais.

Alternativa correta: D – Pacientes em uso crônico de enalapril (IECA) e anlodipino (bloqueador de canal de cálcio) podem ter a medicação mantida no perioperatório. Em cirurgia de catarata (anestesia local/sedação leve) o risco de hipotensão é mínimo, e diretrizes recomendam manter anti-hipertensivos, especialmente os bloqueadores de canal de cálcio. Quanto aos IECA/BRAs, diretrizes ACC/AHA 2024 e ESC 2022 permitem manter em cirurgias de baixo risco; quando se opta por suspender, é apenas na manhã do procedimento para cirurgias maiores. Assim, para catarata, a conduta de manter é adequada. Referências: ACC/AHA 2024 Perioperative Guideline; ESC 2022; Diretriz SBC de Avaliação Cardiovascular Perioperatória.

Por que as demais estão incorretas?

A) Suspender anti-hipertensivos 48h antes não é recomendado. Pode causar piora do controle pressórico e não reduz risco em cirurgia de baixo risco. Mesmo quando IECA/BRAs são suspensos, é só no dia da cirurgia em procedimentos maiores, não 48h. (UpToDate; ACC/AHA 2024)

B) “Prova funcional” não é indicada. O paciente é assintomático, com ECG normal e o procedimento é de baixo risco. Testes não mudariam conduta nem desfecho. Diretrizes desaconselham exames que não alteram manejo em cirurgias de baixo risco. (ACC/AHA 2024; ESC 2022)

C) Risco perioperatório de 5% está incorreto. Cirurgia de catarata tem risco de eventos cardíacos maiores < 1%. Pelo RCRI (0 preditores), o risco é ~0,4%. (Harrison’s; ACC/AHA 2024)

E) Teste ergométrico pré-operatório não tem indicação em cirurgia de baixo risco em paciente assintomático. Poderia atrasar desnecessariamente o procedimento sem benefício clínico. (ACC/AHA 2024; SBC)

Estratégia para a prova: 1) Classifique o risco do procedimento (catarata = muito baixo). 2) Cheque sintomas/ECG: assintomático + normal → não peça teste. 3) Medicações: mantenha anti-hipertensivos (CCBs sim; IECA/BRAs podem ser mantidos em baixo risco; se optar suspender em outros cenários, é apenas na manhã). 4) Desconfie de propostas de “suspender 48h” ou “testar todo mundo”.

Mensagem final: Em catarata, não complique: controle pressórico, mantenha medicações e evite exames que não mudam conduta.

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