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Q4036791 Psiquiatria
Uma paciente de 28 anos é trazida pelo marido ao consultório. Ele relata que há 2 semanas ela apresenta comportamento eufórico, diminuição da necessidade de sono (dorme 3 horas por noite e acorda disposta), gastos excessivos com compras desnecessárias, logorreia e ideias de grandiosidade, acreditando ter descoberto a cura para várias doenças. Não há histórico de uso de substâncias psicoativas. O quadro atual comprometeu gravemente suas relações familiares e laborais. Anteriormente, ela teve dois episódios de depressão maior. Diante deste quadro clínico sugestivo de Transtorno Bipolar, assinale a alternativa que contém o diagnóstico do episódio atual e a opção terapêutica farmacológica de primeira linha mais adequada para a estabilização do humor. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O dado decisivo foi o prejuízo grave no funcionamento familiar e laboral, que afasta hipomania e caracteriza mania no contexto do transtorno bipolar.

Tema central: Episódio maníaco no transtorno bipolar
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada em dois pontos. Primeiro, não é hipomania, porque o enunciado informa prejuízo grave funcional, o que favorece mania. Segundo, ISRS em monoterapia e em dose alta não é conduta de primeira linha para estabilização de mania aguda.
B
Errada
O quadro não é de surto psicótico breve isolado, mas de síndrome maníaca típica, com euforia, redução da necessidade de sono, logorreia, grandiosidade e gastos excessivos. Além disso, benzodiazepínico em monoterapia não é estratégia de estabilização do humor na mania aguda.
C
Certa
A alternativa C é a única que combina diagnóstico e manejo compatíveis com o caso. O enunciado descreve sintomas típicos de elevação do humor e energia, como euforia, redução da necessidade de sono, logorreia, grandiosidade e gastos excessivos, associados a comprometimento acentuado do funcionamento, o que define episódio maníaco e não hipomaníaco. Na fase aguda, a estabilização do humor é feita com carbonato de lítio ou valproato/divalproato, podendo ser associado antipsicótico atípico se necessário.
D
Errada
Não há base no enunciado para episódio misto, porque não foram descritos sintomas depressivos concomitantes relevantes no episódio atual. Também está errada a proposta terapêutica: antidepressivo tricíclico associado a psicoterapia, evitando estabilizador de humor na fase aguda, é incompatível com a lógica de estabilização aguda da mania/bipolaridade.
Pegadinha da questão
A confusão real era chamar de hipomania um quadro de 2 semanas apenas pela duração e ignorar o prejuízo grave funcional, que redefine o episódio como mania; outra armadilha era aceitar antidepressivo como tratamento da fase aguda quando a questão cobrava estabilização do humor.
Dica para questões semelhantes
  • Em bipolaridade, diferencie mania de hipomania pelo impacto funcional: prejuízo grave aponta para mania.
  • Diminuição da necessidade de sono não é insônia comum quando o paciente dorme pouco e acorda disposto; isso pesa a favor de mania.
  • Na mania aguda, procure alternativas com estabilizador do humor como lítio ou valproato/divalproato; antipsicótico atípico pode ser associado se necessário.
  • Grandiosidade deve ser lida no contexto sindrômico afetivo global para não confundir mania com psicose primária isolada.

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