O trecho em que a cronista indica que os escritores se subme...

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Q4231600 Português
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica de Rachel de Queiroz.


    Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em e branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.

    O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e eт pоисo ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que é o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.

    Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise políticа. 


(Adaptado de: RACHEL de Queiroz, 1990)
O trecho em que a cronista indica que os escritores se submetem ao julgamento do público está em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo está no terceiro parágrafo, em que o público é descrito como instância de julgamento e a condição dos autores é resumida em "Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera". A alternativa B é a única que reproduz esse núcleo semântico de submissão.

Tema central: julgamento do público
Análise das alternativas
A
Errada
"o frágil limite da verdade" não trata da sujeição dos autores ao público, mas do cuidado para não ultrapassar a verdade dos fatos e cair na invenção. O eixo semântico aqui é veracidade/invenção, não julgamento do público.
B
Certa
A alternativa B está correta porque "Nessa trêmula serventia" é o ponto em que a cronista sintetiza a dependência dos escritores e jornalistas em relação ao público. No contexto imediatamente anterior, o público é apresentado como quem "dá sentença de vida e morte" e "boceja ou aplaude"; por isso, o demonstrativo "nessa" retoma esse quadro de julgamento, e "serventia" assume valor de serviço/submissão. É exatamente essa formulação que atende ao comando da questão.
C
Errada
"perigoso terreno da invenção" nomeia o risco de deformar os fatos, não a submissão dos escritores ao juízo do público. É uma consequência possível da pressão sobre a escrita, mas não a formulação da dependência pedida no comando.
D
Errada
"bate freneticamente na máquina" descreve um momento de produção intensa depois do bloqueio criativo. O trecho pertence ao processo de escrita e não estabelece relação com público nem com julgamento externo.
E
Errada
"E o poema só nasce na hora que quer" trata da autonomia do fazer poético em contraste com a urgência do jornal. O foco é o tempo da criação literária, não a submissão ao julgamento do público.
Pegadinha da questão
A banca mistura trechos expressivos sobre outros temas do texto — bloqueio criativo, verdade dos fatos, invenção e poesia — para desviar do ponto específico pedido: a sujeição dos autores ao juízo do público. A chave está em perceber que "nessa" retoma exatamente o quadro em que o público julga, aprova ou rejeita.
Dica para questões semelhantes
  • Isole no comando a relação exata pedida; aqui, não era "dificuldade de escrever", mas "submissão ao julgamento do público".
  • Prefira o trecho que nomeia diretamente a relação semântica central, e não um efeito colateral dela.
  • Observe demonstrativos como "nessa": eles retomam ideias anteriores e podem ligar a alternativa ao núcleo do sentido pedido.

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Comentários

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Alternativa B

“Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos...”

A cronista chama o público de “fera” e diz que os escritores dependem dele e o bajulam, ou seja, submetem sua produção ao julgamento e à aprovação do público.

O gabarito é a B “Nessa trêmula serventia.”

A cronista afirma que os escritores dependem do público e se submetem ao seu julgamento:

A palavra “serventia” transmite justamente a ideia de serviço, submissão ou condição de quem serve a alguém. Nesse contexto, os escritores estão sujeitos à avaliação do público, que pode “bocejar ou aplaudir”, isto é, rejeitar ou aprovar aquilo que escrevem.

(...)

 Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera (aqui o escrito implicitamente se refere ao leitor).

A) Errada.O frágil limite da verdade” trata do cuidado para não ultrapassar os fatos e criar algo falso.

B) Correta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera...” mostra que os escritores dependem do público e buscam sua aprovação.

C) Errada. Perigoso terreno da invenção” fala do risco de abandonar a verdade dos fatos.

D) Errada. Bate freneticamente na máquina” mostra o esforço do escritor para produzir o texto após o bloqueio.

E) Errada. O poema só nasce na hora que quer” trata do processo de criação do poema, não da relação com o público.

MACETE!

Na FCC, procure O ENTENDIMENTO CENTRAL por trás da expressão, não apenas a palavra isolada.

Aqui, “dependemos da fera” + “a bajulamos” mostra a submissão dos escritores ao julgamento do público.

Foco PMPI 2026!

Acertei na prova e acertei aqui.

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