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Q3193618 Medicina
Paciente de 71 anos, ex-etilista e portador de cirrose de etiologia alcoólica é diagnosticado com carcinoma hepatocelular em rastreamento habitual. Ao diagnóstico, apresenta lesão primária de 7,8 cm em segmento hepático VI e lesões ósseas secundárias. No momento, paciente ECOG 1. CHILD A5. Foi submetido à endoscopia digestiva alta que revelou varizes esofágicas de grande calibre, que foram parcialmente ligadas, e gastropatia hipertensiva com risco de sangramento. Sobre o caso acima, assinale a alternativa que apresenta o tratamento preferencial. 
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda o tratamento inicial do carcinoma hepatocelular (CHC) avançado em paciente cirrótico (Child-Pugh A5), com bom status funcional (ECOG 1) e varizes esofágicas de grande calibre (risco aumentado de sangramento).

Justificativa da alternativa correta (B):
A opção Durvalumabe + Tremelimumabe é recomendada porque:

  • Diretriz SBOC (2022): “As opções terapêuticas de primeira linha preferenciais em pacientes com HCC avançado e boa função hepática são os regimes: atezolizumabe + bevacizumabe (NE I/FR A) e durvalumabe + tremelimumabe (NE I/FR A)”.
  • Estudo HIMALAYA demonstrou que esta combinação melhora a sobrevida global de pacientes com CHC avançado.
  • Pela presença de varizes esofágicas de grande calibre, bevacizumabe (antiangiogênico) aumenta risco de sangramento digestivo. Assim, durvalumabe + tremelimumabe é mais seguro neste contexto.

Análise crítica das alternativas incorretas:

  • A) Atezolizumabe e Bevacizumabe: Apesar de ser padrão ouro, bevacizumabe está contraindicado em pacientes com grandes varizes esofágicas devido ao risco hemorrágico.
  • C) Levantinibe: É alternativa em primeira linha para CHC avançado, mas não é preferida em relação às combinações imunoterápicas segundo diretrizes, especialmente sem contraindicações às mesmas.
  • D) Durvalumabe monodroga: Uso isolado é inferior à combinação com tremelimumabe em benefício clínico para esta situação.
  • E) Nivolumabe monodroga: Até 2024, não é padrão em primeira linha; seu papel ficou reduzido após a introdução das novas combinações imunoterápicas.

Estratégia de leitura e pegadinhas: Atenção à contraindicação explícita do bevacizumabe em pacientes com risco hemorrágico. O caso clínico descreve sinais claros desse risco (varizes grandes, gastropatia). Evite responder pela “fama” dos esquemas sem analisar o caso clínico completo.

Resumo técnico-científico: Em CHC avançado, imunoterapia combinada é preferida se não houver contraindicações, devendo-se evitar antiangiogênicos como bevacizumabe em contextos de risco de sangramento — conforme SBOC e estudos como HIMALAYA. Referências: SBOC (carcinoma hepatocelular, BCLC C, 2022); HIMALAYA trial; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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