Em relação à forma como está construído o texto, podemos af...

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Q3502619 Português
       Desde que me lembro por gente, sempre gostei muito da escola. No Ensino Médio, como estudei em ETEC, precisei escolher um técnico. Das minhas opções a que mais calhava era Técnico em Saneamento. No fim do Ensino Médio, por pura pressão, acabei escolhendo Química Tecnológica na UNICAMP. Fui por impulso, orgulhosa por ‘não estar perdendo tempo’, direto do Ensino Médio pra faculdade, sem saber ao certo o que queria. Logo arrumei um emprego e estudava à noite. Foi quase um ano e meio assim. Nunca me senti apaixonada pela graduação, mas sempre colocava a culpa em trabalhar de dia, dormir pouco, morar longe... Até que resolvi largar o emprego para ver se melhorava. Mas eu estava tão confusa e exausta da vida a esse ponto, que percebi que não trabalhar mais não ajudou em nada na minha motivação, só piorou.
           Eu empurrava meus dias com a barriga e uma certeza cresceu em mim, um sentimento, de que ali não era meu lugar. Em questão de uma semana tranquei meu curso, sem ideia do que queria fazer do meu futuro. Foi uma época de rompimento total com tudo, na parte afetiva, profissional e acadêmica. Estava perdida, mas sabia que no sentido certo.
        Depois disso, fui deixando a vida me levar, entregando currículos, até que por uma coincidência, comecei como Jovem Aprendiz em um banco. Gostei da área, fui pesquisar cursos a respeito e me interessei muito por Economia. Comecei Ciências Econômicas numa faculdade pequena. A decisão não foi difícil de tomar em nenhum momento porque em algum lugar eu já sentia que a vida que eu tentei levar não era pra mim. Hoje, consegui um emprego fixo como efetiva no banco e estou muito feliz com isso. Agora sim, sinto que achei o meu lugar. Talvez não pra sempre, mas pelo menos por hora. Não me arrependo de ter feito nada na vida. Pra mim não foi perda de tempo. Consigo ver que misturei uma paixão, hobbie e a conexão com a natureza que sempre senti com a minha vocação profissional.


YARA SZLACHKA, BANCÁRIA, 20 ANOS.
Revista Ler & saber. Ano 2 – nº 28 (adaptado)

Em relação à forma como está construído o texto, podemos afirmar que seus parágrafos se organizam numa estrutura predominantemente
Alternativas

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Comentário do Gabarito:

O tema central desta questão é a identificação do tipo textual predominante a partir da análise dos elementos estruturais do texto. Por isso, a abordagem é de interpretação de texto com foco em tipologia textual.

Justificativa da Alternativa Correta (B – narrativa):

Pela norma-padrão e segundo gramáticos como Celso Cunha & Lindley Cintra, o texto narrativo apresenta sequência de acontecimentos, personagens, marcação de tempo e espaço, além de um narrador. No texto apresentado, a autora relata fatos vividos, em ordem cronológica, envolvendo suas decisões, mudanças de curso e experiências profissionais. Enredo, personagens, tempo, espaço e narrador estão todos presentes — marcas essenciais da narrativa. Por exemplo: “No Ensino Médio, como estudei em ETEC…”, “Logo arrumei um emprego...”, “Foi quase um ano e meio assim.”.

Análise das Alternativas Incorretas:

  • A) Injuntiva: Textos injuntivos instruem ou ordenam ações (ex: receitas, manuais), com verbos no imperativo. Não há orientações ao leitor no texto.
  • C) Dissertativo-argumentativa: O foco é convencer ou argumentar sobre uma tese. O texto não apresenta defesa de ideia nem argumentos, mas apenas narra fatos.
  • D) Dissertativo-expositiva: Explica um tema usando informações e dados objetivos. O texto não visa expor dados nem explicações costumeiras deste tipo textual.
  • E) Descritiva: A descrição detalha características, mas aqui a descrição está subordinada à narração; não há pausa descritiva para caracterização minuciosa — predomina a sequência de ações.

Dica para provas: Atenção especial às palavras de tempo (“no fim do Ensino Médio”, “logo”, “depois disso”), ações sequenciadas e à presença de narrador em primeira pessoa — tudo indica narrativa.

Referências: Cunha & Cintra – Nova Gramática do Português Contemporâneo; Bechara – Moderna Gramática Portuguesa.

Resumo: A alternativa correta é B) narrativa, pois o texto relata uma história pessoal com início, meio e fim, marcados por acontecimentos e escolhas, seguindo o típico encadeamento temporal do tipo narrativo.

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Comentários

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GAB: B

 Texto Narrativo: LEMBRA!!! O TEXTO NARRATIVO PODE SER FICCIONAL OU NÃO OU SEJA, NÃO NECESSITA SER UM CONTO, NOVELA, Fábula, Crônica,   -O QUE DETERMINA É COMO ELE PODE SER APRESENTADO – SEQUÊNCIA DE FATOS OU AÇÕES QUE GERAM CONSEQUÊNCIAS - HÁ APRESENTAÇÕES DOS FATOS EM UMA ORDEM – NO TEXTO NARRATIVO EU TENHO TEMPO/LOCAL/ESPAÇO ONDE OCORREU O FATO – OLHA-SE A DATA –

 

EX: PETRÓLEO CAI 17% NO TERCEIRO TRIMESTRE COM DESACELERAÇÃO DA DEMANDA NOVA

YORK | REUTERS

    Os preços do petróleo registraram uma perda de 17% no terceiro trimestre, diante de preocupações com a desaceleração da demanda global que ofuscaram temores de que um conflito crescente no Oriente Médio poderia reduzir a oferta.

   Os futuros do Brent para entrega em novembro caíram 9% em setembro, para US$ 71,77 o barril, maior declínio mensal desde novembro de 2022. O WTI fechou a US$ 68,17 - queda de 7% no mês e de 16% no trimestre.

Folha de São Paulo, 01/10/2024

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O texto da Yara narra uma trajetória de vida, com foco em ações em sequência temporal, momentos vividos e mudanças importantes. Veja os elementos que comprovam a estrutura narrativa:

  • Personagem principal: ela mesma (Yara).
  • Tempo: os fatos são contados em ordem cronológica ("Desde que me lembro por gente", "No Ensino Médio", "No fim do Ensino Médio", "Depois disso"...).
  • Espaço: escola, faculdade, banco etc.
  • Conflito: dúvida sobre qual profissão seguir.
  • Resolução: encontrar satisfação na área bancária e no curso de Economia.

Ou seja, o texto conta uma história com começo, meio e fim — isso caracteriza a tipologia narrativa.

  • A. Injuntiva: daria ordens ou instruções (tipo receita, manual). Não é o caso.
  • C. Dissertativo-argumentativa: não tem tese clara nem argumentos organizados para defender uma opinião. Ela até emite opiniões, mas dentro de uma narrativa pessoal.
  • D. Dissertativo-expositiva: explicaria algo com base em fatos e dados (ex: um artigo científico, uma reportagem explicativa).
  • E. Descritiva: embora tenha descrições, o objetivo do texto não é parar para descrever algo com riqueza de detalhes, e sim contar uma história com ações.

TEXTO NARRATIVO GERALMENTE SE ENCONTRA NO PRESENTE E NO PRETERITO PERFEITO, E PRESENÇA DE PROGRESSÃO TEMPORAL.

Resposta b

A) Injuntiva.

❌ Errada. Injuntiva é quando se dá ordem, instrução ou conselho (ex.: receitas, manuais).

B) Narrativa.

✅ Certa. O texto relata uma sucessão de acontecimentos vividos pela narradora, em ordem temporal.

C) Dissertativo-argumentativa.

❌ Errada. Esse tipo de texto defende uma tese com argumentos lógicos (ex.: redação do Enem). Aqui não há defesa de tese.

D) Dissertativo-expositiva.

❌ Errada. Expositiva é quando se explicam conceitos de forma neutra (ex.: verbetes, resumos). Aqui não há exposição didática.

E) Descritiva.

❌ Errada. Apesar de haver algumas descrições, a função principal não é pintar um quadro de pessoas ou lugares, mas contar uma história.

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