Sobre o uso do termo “teratológico”, o autor apresenta:

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Q1276069 Português
Leia atentamente o texto abaixo para responder a questão.

‘Tempos Anormais’

    Vocês vão entender o título no final. Volto ao tema diante da repercussão da última coluna, que tratava da sessão do STF que julgou o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. Por causa principalmente de um termo muito usado pelos ministros — “teratológico” —, poucas vezes recebi tantas mensagens, inclusive de colegas, a começar por minha diretora, que se referiu criticamente “ao uso vaidoso e pretensioso de nosso idioma”.
    De Brasília, a também jornalista Patrícia Pinheiro mandou uma divertida crônica que termina assim: “muito obrigada por me fazer saber o que é teratológico e por me lembrar que temos dicionário em casa!”. Gerson Camarotti, que estava no plenário da Corte cobrindo a sessão, conta que perguntou para todos os companheiros o que era teratologia.
    “Só fiquei mais tranquilo depois de perceber que eles também desconheciam aquela palavra da moda no Supremo. Você esclareceu a minha dúvida”. Então, digamos, foi uma retribuição a quem várias vezes por semana, no “Em pauta”, da GloboNews, esclarece as minhas dúvidas políticas.
    Houve quem me gozasse: “Vai dizer que na Academia vocês também não usam termos difíceis?” Como outras instituições, temos os nossos códigos e usamos, sim, mas internamente, entre os pares, não em sessões televisionadas. A propósito, o poeta e acadêmico Geraldo Carneiro comentou que os juízes — “com exceção do Barroso e às vezes da Cármen Lúcia — têm a mania teratológica de falar difícil”.
Inclemente, ele lembrou os personagens que Molière chamou de “preciosas ridículas”. “Jamais usam o gerúndio, ao contrário de Camões, Vieira, Eça, Machado etc. Têm horror à fala das ruas, assim como têm horror ao cidadão comum”.
    Dos inúmeros comentários recebidos, o mais surpreendente foi um, por sinal bemhumorado, transmitido através do WhatsApp de meu amigo Roberto D’Avila, porque o remetente não tinha meu endereço. Adivinhem de quem? Do ministro Luís Roberto Barroso, confessando ter apreendido o sentido de “mal secreto” lendo meu livro sobre a inveja com esse título. Ele usou a expressão contra o seu desafeto no famoso bate-boca da véspera (ainda bem que não citou o autor. Já imaginaram eu metido nessa briga como que tomando o partido contra um dos lados?. E que lado! Tremo só de pensar).
    Barroso se disse “triste” com o episódio, acrescentando, que “ainda assim o humor ajuda”. E terminou com um exemplo para ajudar na definição do polêmico adjetivo: “teratológicos são os nossos tempos. Completamente anormais”.
    Quanto a isso, não há dúvida.
                    Zuenir Ventura - O Globo, 28/03/2018
Sobre o uso do termo “teratológico”, o autor apresenta:
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Gabarito comentado

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Assunto central: Interpretação de texto e análise de tom discursivo.

A questão avalia sua capacidade de interpretar o tom e a intenção comunicativa do autor ao comentar sobre o uso do termo “teratológico”. Em provas de concurso, é essencial perceber não apenas o conteúdo, mas como o autor expressa seu pensamento – se com humor, indignação, ironia, deboche ou neutralidade. Isso envolve a análise dos recursos linguísticos, escolhas vocabulares e estrutura do texto.

Justificativa da alternativa correta (C): "Um posicionamento humorado."

No texto, Zuenir Ventura relata as reações diversas de colegas quanto ao uso do termo “teratológico”, empregando expressões leves e divertidas (“mandou uma divertida crônica”, “vai dizer que na Academia vocês também não usam termos difíceis?”, “Barroso se disse ‘triste’, acrescentando, que ‘ainda assim o humor ajuda’”). O próprio autor encerra com a definição de “teratológico” como “os nossos tempos. Completamente anormais”, usando ironia e humor para criticar, de modo leve, o excesso de formalismo. Segundo Bechara e os principais manuais de interpretação, expressões desse tipo indicam tom cômico ou bem-humorado, e não crítica ácida ou indignação.

Análise das alternativas incorretas:

A) Uma reação preconceituosa: Não há indícios de preconceito ou reprovação discriminatória. O autor é crítico, mas sem agressividade. A alternativa generaliza de forma equivocada.

B) Um olhar de deboche e sarcasmo: O texto destaca humor e leveza, não desdém ou escárnio. O humor aqui é construtivo e reflexivo, e não ofensivo, como exige o sarcasmo.

D) Uma postura de indignação: Não se observa indignação; o autor não demonstra raiva nem faz protestos veementes, mas sim observações jocosas e destituídas de agressividade.

Estratégias para questões desse tipo: Sempre avalie o vocabulário e a forma como são relatados os acontecimentos. Termos como “bem-humorado”, “divertida crônica” e “o humor ajuda” sinalizam claramente o tom adotado.

Resumo: O gabarito correto é C) Um posicionamento humorado. A compreensão do tom textual, recomenda Rocha Lima, é fundamental para evitar confusões em provas que exploram as sutilezas do discurso.

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