Ao chegarem ao Brasil, os portugueses logo descobriram que grandes partes do litoral, bem como as partes do interior às
quais tinham acesso, se encontravam ocupadas por sociedades que compartilhavam certas características comuns à cultura
tupi-guarani. Em outras partes, o Brasil era habitado por sociedades não tupis, representando dezenas de famílias linguísticas
distintas. Para enfrentar o problema, os europeus reduziram esse cenário a duas categorias genéricas: tupi e tapuia. A parte
tupi agregava os grupos litorâneos em contato com europeus, não só os portugueses, mas também franceses, ingleses e
castelhanos.
A denominação “tapuia” se aplicava aos grupos desconhecidos. Em seu Tratado descritivo, Gabriel Soares de Souza
confessava a dificuldade em repertoriá-los: “Como os tapuias são tantos e tão divididos em bandos, costumes e linguagem
para se poder deles dizer muito, era necessário de propósito e devagar tomar grandes informações de suas divisões, vida e
costumes, pois ao presente não é possível.”
Inúmeros relatos de missionários e viajantes contaram sobre os costumes indígenas. Na pena de Soares de Souza, por
exemplo, o leitor há de encontrar verbetes descritivos sobre “costumes e trajes”, “do modo de comer e beber”, “de como curam
suas enfermidades”, da “luxúria”, de seus casamentos, antropofagia e linguagem – enfim, um catálogo dos usos e costumes de
várias nações, dos caetés aos ubirajaras. Esses textos ora enfatizam a singularidade de suas culturas, ora retratam a
aculturação que resultou do contato com o homem branco e o consequente processo de integração, exploração e destruição
das populações indígenas. Como se vestiam ou enterravam seus mortos, o que comiam e a quem se uniam, como guerreavam
ou passavam o tempo? As tribos mais comentadas são aquelas com as quais foram cruzando ao longo da ocupação: índios de
aldeias, vivendo de suas lavouras, como os caiapós ou os parecis, ou índios de corso, ferozes e excelentes cavaleiros, como
os paiguazes ou aicurus, deixaram seu retrato na pena de pato dos brancos.
[...]
PRIORE, Mary del. Histórias da gente brasileira: volume 1: colônia. Rio de Janeiro: Leya, 2016. p. 53-54.
No Texto 2, encontra-se um uso metonímico empregado duas vezes, em “Na pena de Soares de Souza” e “na pena de
pato dos brancos”. Sobre esse uso, pode-se afirmar que ele ocorre a partir da representação lexical do(a)
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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