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Q2067892 Medicina
V.N.T, 58 anos, sexo feminino, diagnosticada com carcinoma seroso de ovário de alto grau. Em exames de estadiamento apresentava lesão em ovário esquerdo de aproximadamente 6.9 cm, com múltiplos implantes peritoneais e ascite de moderado volume. Foi submetida a histerectomia, salpingooforectomia bilateral, omentectomia parcial, linfadenectomia, ressecção de lesões peritoneais e análise de líquido ascítico, com descrição de citorredução subótima. Estadiamento cirúrgico pT3c N0 (0/6 linfonodos ressecados) M0 – EC IIIC. Paciente comparece a consulta para avaliação de adjuvância, 4 semanas após cirurgia, assintomática, com ECOG 0. Sem outras comorbidades. Sequenciamento amplo de DNA não revelou mutações patológicas de BRCA ou outras enzimas de reparo de DNA.
Sobre o caso acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Tema central: O caso aborda o tratamento adjuvante de carcinoma seroso de ovário de alto grau, estádio IIIC e o emprego de terapias modernas em oncologia ginecológica após citorredução subótima.

Justificativa da alternativa correta – Letra D:

A paciente realizou cirurgia com citorredução subótima, não apresenta mutações em BRCA nem em outros genes de reparo de DNA e está em estágio IIIC — situação de alto risco e recorrência. Nestes casos, a conduta recomendada, conforme as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas de Neoplasia Maligna Epitelial de Ovário (2019), é quimioterapia adjuvante com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos.

O diferencial para casos avançados com doença residual importante é a possibilidade de adicionar o Bevacizumabe à quimioterapia, iniciado concomitantemente e mantido por até 15 meses como manutenção. Esta conduta está respaldada pelo estudo ICON7 e pelo Manual MSD, que reforçam o ganho em sobrevida livre de progressão em pacientes com doença avançada e alto risco.

Comentário sobre as alternativas incorretas:

A) A linfadenectomia não é indicada de forma rotineira apenas pela suspeita em imagem ou alto risco. É parte do estadiamento cirúrgico, mas sua indicação depende do contexto intraoperatório e das diretrizes vigentes. Há discussões atuais sobre seu benefício; não se restringe à presença de doença avançada.

B) A quimioterapia intraperitoneal (QIP) não é recomendada em casos de citorredução subótima. Evidências mostram que seu benefício é restrito a pacientes com doença residual mínima ou ausente, pois ascite volumosa ou implantes residuais limitam sua eficácia.

C) Olaparibe, um inibidor de PARP, está indicado apenas em contexto de mutações BRCA ou outras alterações relacionadas ao reparo de DNA. Associá-lo à quimioterapia não é prática padrão nem está respaldado neste perfil molecular.

Destaques de leitura de prova: Note termos como “ressecção subótima”, ausência de mutação BRCA e “iniciar concomitantemente”, que direcionam para a associação com Bevacizumabe. Sempre avalie se há indicação molecular para terapia-alvo!

Resumo: O tratamento da paciente consiste em 6 ciclos de Carboplatina e Paclitaxel, com adjuvância de Bevacizumabe (se disponível), alinhado com protocolos nacionais e internacionais atuais.

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Comentários

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A alternativa correta é a D: está indicado o tratamento adjuvante com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos. Caso se tenha acesso, Bevacizumabe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente. O tratamento adjuvante é recomendado para pacientes com câncer de ovário em estágio III ou IV, após a cirurgia citorredutora ótima ou subótima. A quimioterapia com Carboplatina e Paclitaxel é o tratamento padrão, com comprovada eficácia em aumentar a sobrevida livre de progressão e a sobrevida global. O Bevacizumabe é um anticorpo monoclonal que inibe a angiogênese tumoral e pode ser usado em combinação com a quimioterapia, aumentando ainda mais os resultados. Porém, deve ser usado com cautela em pacientes com risco de sangramento ou trombose.

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