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Q3947011 Medicina
Uma mulher de 28 anos, gestante de 28 semanas, é internada em unidade de terapia intensiva por dispneia intensa, desnaturação e ortopneia. Ao exame físico, apresenta estertores crepitantes bilateralmente, pressão arterial 124x86 mmHg e saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente. O ecocardiograma transtorácico mostra fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 60%, área valvar mitral de 0,9 cm², gradiente médio transmitral de 15 mmHg, pressão sistólica de artéria pulmonar de 60 mmHg, ausência de trombo em ventrículo esquerdo e o seguinte Score de Wilkins-Block: mobilidade dos folhetos grau 2; espessamento dos folhetos grau 2; calcificação das cúspides grau 1; acometimento do aparato subvalvar grau 1. Com base nesse caso, assinale a alternativa que apresenta a melhor opção terapêutica para essa paciente com impacto no prognóstico materno-fetal. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Estenose mitral grave sintomática na gestação, com anatomia valvar favorável, deve ser tratada preferencialmente por valvoplastia mitral percutânea; neste caso, a área valvar de 0,9 cm², o gradiente transmitral elevado, a hipertensão pulmonar, o escore de Wilkins-Block 6 e a descompensação clínica sustentam essa escolha e desfavorecem tratamento apenas clínico ou cirurgia como primeira opção.

Tema central: Estenose mitral na gestação
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Balão intra-aórtico não corrige o mecanismo do quadro. O problema central é a obstrução valvar mitral com aumento da pressão atrial esquerda, congestão pulmonar e hipertensão pulmonar, não choque cardiogênico por disfunção sistólica. Esse dispositivo não reduz de forma definitiva o gradiente transmitral nem trata a estenose mitral grave.
B
Errada
Incorreta. A cirurgia de troca valvar mitral com circulação extracorpórea não é a melhor opção quando existe anatomia favorável para valvoplastia percutânea. Nesta gestante, o escore de Wilkins baixo indica boa candidata ao procedimento percutâneo, que é preferido por menor agressão materna e menor risco fetal do que a cirurgia com circulação extracorpórea.
C
Errada
Incorreta. Diurético e betabloqueador podem ter papel inicial ou adjunto, mas não resolvem adequadamente este cenário como estratégia definitiva. A paciente já está descompensada, internada em UTI, com dispneia intensa, ortopneia, crepitantes, dessaturação e hipertensão pulmonar importante. Esses achados indicam necessidade de intervenção desobstrutiva, porque tratamento clínico isolado é insuficiente diante da gravidade e da repercussão pulmonar.
D
Errada
Incorreta. Postergar a correção da lesão para primeiro resolver a gestação mantém a causa hemodinâmica ativa em uma paciente já gravemente sintomática com 28 semanas. Isso expõe mãe e feto ao risco de piora durante a continuidade da gestação. Além disso, mesmo depois da gestação, a cirurgia não seria superior à valvoplastia percutânea no cenário de anatomia favorável apresentado.
E
Certa
A alternativa E está correta porque a paciente tem estenose mitral grave com repercussão hemodinâmica importante durante a gestação: congestão pulmonar clínica, dessaturação, ortopneia, gradiente transmitral elevado e pressão sistólica de artéria pulmonar de 60 mmHg. A fração de ejeção preservada reforça que a descompensação não é por falência sistólica do ventrículo esquerdo, mas por obstrução ao enchimento ventricular pela valva mitral. Como a anatomia é favorável para intervenção percutânea pelo escore de Wilkins-Block 6, a valvoplastia mitral percutânea é a estratégia com melhor impacto materno-fetal, por aliviar a obstrução e evitar os maiores riscos da cirurgia com circulação extracorpórea na gestação.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: interpretar a fração de ejeção preservada como sinal de menor gravidade e superestimar o tratamento clínico em um quadro que já tem edema pulmonar/hipertensão pulmonar por estenose mitral grave. O dado que muda a conduta é a combinação de gravidade da lesão, descompensação clínica e anatomia favorável para abordagem percutânea.
Dica para questões semelhantes
  • Em gestante com estenose mitral, área valvar menor que 1,0 cm² associada a congestão pulmonar ou hipertensão pulmonar indica repercussão importante e afasta conduta apenas expectante.
  • Se a anatomia valvar for favorável pelo escore de Wilkins baixo, a valvoplastia mitral percutânea passa a ser a intervenção preferencial durante a gestação.
  • Fraçao de ejeção normal não exclui gravidade em valvopatia mitral obstrutiva; aqui a descompensação decorre da obstrução diastólica e da elevação da pressão atrial esquerda.
  • Cirurgia com circulação extracorpórea na gestação fica reservada para impossibilidade ou contraindicação da via percutânea, não como primeira escolha quando o ecocardiograma favorece valvoplastia.

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