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Q3947009 Medicina
Paciente, 54 anos, sexo masculino, portador de insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (FEVE 30%) de etiologia isquêmica, comparece ao consultório queixando-se de dispneia classe funcional NYHA III. Está em uso de sacubitril-valsartana 200 mg de 12/12h, espironolactona 25 mg/d, succinato de metoprolol 100 mg 12/12h, dapagliflozina 10 mg/d e alta dose de furosemida. Ao exame físico, apresenta edema de membros inferiores 1+/4+, pressão arterial 110x90 mmHg e frequência cardíaca 67 bpm. No eletrocardiograma, possui ritmo sinusal e complexo QRS de 160 ms com morfologia de bloqueio de ramo esquerdo. Com base nesse caso, assinale a alternativa que apresenta a opção terapêutica que possui impacto comprovado na redução da mortalidade e de hospitalizações. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em ICFEr com FEVE ≤35%, ritmo sinusal, BRE, QRS ≥150 ms e sintomas persistentes apesar de terapia medicamentosa otimizada, a terapia de ressincronização cardíaca é recomendada por reduzir mortalidade e hospitalizações. No caso, FEVE 30%, NYHA III, ritmo sinusal, BRE e QRS de 160 ms preenchem esse critério, tornando a alternativa A a única com benefício prognóstico comprovado.

Tema central: Indicação de TRC na ICFEr
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa está correta porque o enunciado descreve o perfil clássico de maior benefício para ressincronização cardíaca: ICFEr sintomática apesar de tratamento clínico amplamente otimizado, FEVE de 30%, ritmo sinusal, bloqueio de ramo esquerdo e QRS de 160 ms. Nesse contexto, a dessincronia ventricular do BRE com QRS muito alargado piora a mecânica cardíaca, e a TRC corrige parcialmente essa dessincronia, com redução de mortalidade e hospitalizações. O componente CDI pode ser compatível com prevenção primária na cardiomiopatia isquêmica com FEVE reduzida, mas aqui ele funciona apenas como reforço secundário; o critério central que resolve a questão é a indicação de TRC.
B
Errada
Está errada porque não há fundamento para suspender sacubitril-valsartana, que é terapia basilar com benefício prognóstico na ICFEr e está sendo tolerada. Hidralazina + nitrato é alternativa quando ARNI/IECA/BRA não podem ser usados ou em contextos específicos; nesta situação, sua substituição não é a intervenção com melhor evidência de redução de mortalidade e hospitalizações.
C
Errada
Está errada porque reduzir metoprolol retiraria parte de uma terapia com benefício comprovado em mortalidade e hospitalização, sem justificativa clínica apresentada. O enunciado não descreve hipotensão sintomática, bradicardia importante ou intolerância ao betabloqueador, e o sacubitril-valsartana já está em dose alta, o que elimina a lógica de sacrificar uma terapia prognóstica para intensificar outra já otimizada.
D
Errada
Está errada porque aumento de furosemida pode aliviar congestão e sintomas, mas diurético de alça não demonstrou reduzir mortalidade na ICFEr. A questão pede a opção com impacto comprovado em mortalidade e hospitalizações, e esse não é o papel prognóstico da furosemida.
E
Errada
Está errada porque ivabradina exige ritmo sinusal com frequência cardíaca persistentemente elevada apesar de betabloqueador, tipicamente FC ≥70 bpm. O paciente está em ritmo sinusal, mas a frequência é 67 bpm, portanto não preenche o critério de indicação.
Pegadinha da questão
A banca mistura persistência de sintomas e discreta congestão com opções farmacológicas que podem parecer intuitivas, mas o dado que decide a questão é o perfil eletroclínico de alto benefício para TRC: BRE com QRS de 160 ms em ICFEr já otimizada. Outra armadilha real é oferecer ivabradina em paciente com ritmo sinusal, mas com FC de 67 bpm, abaixo do critério de indicação.
Dica para questões semelhantes
  • Em ICFEr, diferencie terapia que alivia sintomas de terapia que modifica prognóstico; diurético descongestiona, mas não reduz mortalidade.
  • Se houver FEVE ≤35%, ritmo sinusal, BRE e QRS ≥150 ms apesar de tratamento otimizado, pense primeiro em TRC por benefício em mortalidade e hospitalizações.
  • Para ivabradina, não basta ritmo sinusal e sintomas: a frequência cardíaca precisa permanecer elevada apesar de betabloqueador.
  • Não troque ARNI ou reduza betabloqueador prognóstico sem dado objetivo de intolerância ou contraindicação no enunciado.

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