Paciente, 58 anos, sexo masculino, com histórico de insufici...

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Q3947008 Medicina
Paciente, 58 anos, sexo masculino, com histórico de insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (FEVE 28%) de etiologia isquêmica, está internado em uma UTI cardiológica devido à descompensação de insuficiência cardíaca. Encontra-se em uso de altas doses de diuréticos, vasodilatador endovenoso e dobutamina 10 mcg/kg/min, sem tolerar redução de doses de inotrópicos nos últimos dias. Sua perfusão é limítrofe, sem sinais de choque iminente e com sinais de congestão pulmonar persistente. Está sendo avaliado para transplante cardíaco. Conforme a classificação INTERMACS, qual é o perfil clínico desse paciente? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A dependência contínua de dobutamina, com falha de desmame por vários dias, perfusão limítrofe e ausência de choque iminente, define o perfil INTERMACS 3 ('stable but inotrope dependent'); é esse critério que sustenta o gabarito C.

Tema central: Classificação INTERMACS
Análise das alternativas
A
Errada
INTERMACS 1 é choque cardiogênico crítico, com hipoperfusão grave e colapso circulatório iminente. O enunciado não descreve esse cenário; ao contrário, informa perfusão limítrofe sem sinais de choque iminente. Necessidade de inotrópico não basta para classificar como perfil 1.
B
Errada
INTERMACS 2 exige deterioração progressiva apesar do suporte inotrópico, com piora clínica em curso e aproximação de choque ou falência orgânica. Aqui, o dado central é outro: o paciente não tolera desmame da dobutamina, mas permanece sustentado pelo inotrópico, sem choque iminente. Isso caracteriza dependência de inotrópico, não declínio progressivo refratário.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o perfil INTERMACS 3 descreve o paciente clinicamente mantido sem piora imediata apenas graças ao inotrópico intravenoso, com falha de desmame do suporte e sem colapso hemodinâmico crítico iminente. No caso, a dobutamina em infusão contínua, a intolerância à redução da dose e a ausência de choque iminente são exatamente os elementos que sustentam esse enquadramento.
D
Errada
INTERMACS 4 descreve sintomas em repouso e congestão recorrente, porém sem a dependência obrigatória de inotrópico intravenoso como eixo definidor do quadro. Neste caso, a falha de reduzir a dobutamina desloca a classificação para um perfil mais grave, o INTERMACS 3.
E
Errada
INTERMACS 5 corresponde ao paciente confortável em repouso, mas intolerante ao esforço. Isso é incompatível com internação em UTI por descompensação, congestão pulmonar persistente e necessidade contínua de dobutamina. A gravidade clínica descrita é muito superior à do perfil 5.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre uso de inotrópico e INTERMACS 2. O discriminador real não é apenas estar em dobutamina, mas o padrão clínico: dependência de inotrópico sem choque iminente define INTERMACS 3; deterioração progressiva apesar do suporte é que definiria INTERMACS 2.
Dica para questões semelhantes
  • Na classificação INTERMACS, primeiro diferencie choque crítico ou deterioração progressiva dos quadros apenas sustentados por inotrópico.
  • Se o paciente só se mantém enquanto recebe inotrópico e falha no desmame, pense em dependência de inotrópico, isto é, perfil 3.
  • Congestão persistente, por si só, não define o perfil; o dado hierarquicamente decisivo é o padrão hemodinâmico e a necessidade de suporte intravenoso.
  • Não use FEVE isoladamente para classificar INTERMACS; a definição depende do estado clínico atual.

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