Enfatizando a natureza histórica e social da língua, dos sujeitos
e das interações verbais, [João Wanderley Geraldi] considera
fundamental compreender o trabalho linguístico (dos sujeitos)
como atividade constitutiva, em que se entrecruzam produção
histórica e social de sistemas de referências e de operações
discursivas. Nesse âmbito, por sua vez, há ações que se fazem
com a linguagem e sobre a linguagem, assim como há ações
da linguagem sobre os sujeitos. Trata-se, assim, de distinguir,
nesses níveis de ação, os diferentes níveis de reflexão:
atividades linguísticas, epilinguísticas e metalinguísticas; e,
nesse trabalho linguístico, que ocorre sempre em determinada
situação histórico-social – espaço de relações interlocutivas –
produzem-se discursos necessariamente significativos. [...] a
especificidade do ensino da língua encontra-se, portanto, no
trabalho com o texto, compreendido sempre como uma
atividade de produção de sentidos [...].
SILVA, L; FERREIRA, N; MORTATTI, M. (Orgs.). O texto na sala de aula: um
clássico sobre o ensino de língua portuguesa. Campinas: Autores Associados,
2014. [Adaptado].
A linguista brasileira Irandé Antunes enfatiza que o uso do
texto em sala de aula é um pretexto para análise frasal à luz
da gramática normativa. Tal ação, segundo a pesquisadora,
configura um equívoco quanto ao modo de agenciar
atividades linguísticas, epilinguísticas e metalinguísticas. A
distinção entre a aula de gramática e a aula de análise
linguística reside no fato de
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