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Ano: 2006 Banca: FCC Órgão: BACEN Prova: FCC - 2006 - BACEN - Procurador - Prova 2 |
Q56803 Português
Para responder a esta questão, considere os parágrafos que seguem.

I. Essa situação prevaleceu ao menos durante os primeiros tempos da colônia.

II. Vinte e sete anos mais tarde renova-se essa proibição, que só com a Restauração seria parcialmente revogada, em favor de ingleses e holandeses.

III. Com tudo isso, a administração portuguesa parece, em alguns pontos, relativamente mais liberal do que a das possessões espanholas. Assim é que, ao contrário do que sucedia nessas, foi admitida aqui a livre entrada de estrangeiros que se dispusessem a vir trabalhar. Inúmeros foram os espanhóis, italianos, flamengos, ingleses, irlandeses, alemães que para cá vieram, aproveitando-se dessa tolerância.

IV. Só mudou em 1600, quando Felipe II ordenou fossem terminantemente excluídos todos os estrangeiros do Brasil. Proibiu-se então seu emprego como administradores de propriedades agrícolas, determinou-se fosse realizado o recenseamento de seu número, domicílio e cabedais, e em certos lugares - como em Pernambuco - deu-se-lhes ordem de embarque para os seus países de origem.

V. Aos estrangeiros era permitido, além disso, percorrerem as costas brasileiras na qualidade de mercadores, desde que se obrigassem a pagar dez por cento do valor de suas mercadorias, como imposto de importação, e desde que não traficassem com os indígenas.

Os parágrafos acima constituem um texto organizado, extraído do livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (São Paulo: José Olympio, 1948, p. 153-4) cujos parágrafos foram transcritos de forma aleatória. A seqüência que reproduz a ordem original, garantindo clareza e coesão, é:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a coesão referencial articulada à progressão temporal: “Essa situação prevaleceu ao menos durante os primeiros tempos da colônia. / Só mudou em 1600, quando Felipe II ordenou fossem terminantemente excluídos todos os estrangeiros do Brasil. / Vinte e sete anos mais tarde renova-se essa proibição”. Esses trechos mostram que I depende de uma situação anterior de tolerância, IV só pode vir depois dessa situação porque marca sua mudança em 1600, e II só pode vir depois de IV porque retoma “essa proibição” e se ancora no marco cronológico de 1600; por isso a ordem coesa é III, V, I, IV, II.

Tema central: ordenação por coesão referencial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única que preserva toda a cadeia de referências e a sequência histórica interna do texto. O parágrafo III abre adequadamente porque apresenta o quadro geral da relativa liberalidade portuguesa. O parágrafo V vem depois, porque “além disso” acrescenta nova permissão ao que já estava sendo exposto sobre a tolerância aos estrangeiros. O parágrafo I então sintetiza esse estado anterior com “Essa situação”, retomando o quadro formado por III e V. Em seguida, o parágrafo IV introduz a ruptura desse estado com “Só mudou em 1600”, o que pressupõe a situação anterior já descrita. Por fim, o parágrafo II necessariamente fecha a sequência, pois “essa proibição” retoma diretamente a exclusão instituída em IV, e “Vinte e sete anos mais tarde” depende do marco cronológico de 1600.
B
Errada
Está errada porque antecipa o parágrafo II sem antecedente válido para suas referências. Em “Vinte e sete anos mais tarde renova-se essa proibição”, tanto o marco temporal quanto “essa proibição” dependem do parágrafo IV, que é o trecho em que a proibição é explicitamente enunciada. Sem IV antes, há quebra de anáfora e da cronologia.
C
Errada
Está errada porque faz o texto começar com I, mas “Essa situação” é uma retomada anafórica e exige um conteúdo anterior já apresentado. Além disso, também coloca II antes de IV, o que rompe a referência de “essa proibição”, já que a proibição só aparece explicitamente no parágrafo IV.
D
Errada
Está errada porque abre com IV, e “Só mudou em 1600” pressupõe um estado anterior mantido até então; portanto, não funciona como início. Depois, a sequência IV-V também é incoerente, porque, após a exclusão terminante dos estrangeiros em IV, o texto volta em V a uma permissão com “além disso”, sem reconstruir o quadro anterior de tolerância.
E
Errada
Está errada porque também começa indevidamente com IV, apesar de “Só mudou em 1600” exigir a apresentação prévia da situação que mudou. Além disso, termina com III, mas III tem função introdutória e geral: “Com tudo isso, a administração portuguesa parece, em alguns pontos, relativamente mais liberal do que a das possessões espanholas.” Esse parágrafo organiza a abertura explicativa do tema, não o encerramento após a renovação da proibição.
Pegadinha da questão
A banca explora pronomes e conectores que não são autônomos: “Essa situação” impede que I abra o texto; “além disso” impede que V apareça sem enumeração anterior; e “essa proibição” obriga que II venha depois de IV.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro expressões que exigem antecedente, como demonstrativos e retomadas anafóricas; elas costumam fixar a posição relativa dos parágrafos.
  • Marcas como “além disso” e “só mudou” revelam se o trecho acrescenta informação ou rompe um estado anterior, o que impede certas aberturas.
  • Quando houver referência temporal explícita, confira de que marco ela depende; aqui, “vinte e sete anos mais tarde” só se sustenta depois de “1600”.

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