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Q659088 Português

          Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar náufragos

           Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o sofrimento

                    dos refugiados deixou-o mais rígido com as próprias filhas.

      O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas. Cobriu guerras e os protestos da Primavera Árabe. Nos últimos meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na Europa. Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos, como tem sido o trabalho na ilha de Lesbos, na Grécia, onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu. Mais de 700.000 refugiados e imigrantes clandestinos já desembarcaram no litoral grego este ano. As autoridades locais estão sendo acusadas de não dar apoio suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça de suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os Estados-membros.

      Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar, em território pacífico, pessoas que trazem no rosto o sofrimento da guerra. “Só de saber que você não está em uma zona de guerra torna isso ainda mais emocional. E muito mais doloroso”, diz Messinis. Numa guerra, o fotógrafo também corre perigo, então, de certa forma, está em pé de igualdade com as pessoas que protagonizam as cenas que ele documenta. Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta segurança. As pessoas que chegam estão lutando por suas vidas. Não são poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar em terra firme, por falta de atendimento médico.

      Exatamente por causa dessa assimetria entre o fotojornalista e os protagonistas de suas fotos, muitas vezes Messinis deixa a câmera de lado e põe-se a ajudá-los. Ele se impressiona e se preocupa muito com os bebês que chegam nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da travessia. Messinis fotografou os cadáveres de alguns deles nas pedras à beira-mar.

      O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento das crianças refugiadas deixou-o mais rígido com as próprias filhas. As maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando vê o que acontece com as crianças que chegam nos botes, Messinis pensa em como suas filhas têm sorte de estarem vivas, de terem onde morar e de viverem num país em paz. Elas não têm do que reclamar.

(Por: Diogo Schelp 04/12/2015. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-reportagem/conheca-aris-que-se-divide-entre-socorrer-e-fotografar-naufragos/.)

O texto apresenta-se em uma linguagem predominantemente informativa. Contudo, além de apresentar os fatos, há demonstração de análise subjetiva do autor no seguinte trecho em destaque:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de texto — Identificação de linguagem subjetiva em texto predominantemente informativo.

A questão exige a capacidade de diferenciar entre linguagem objetiva (impessoal, focada em fatos) e linguagem subjetiva (marcada por opiniões, impressões ou sentimentos do autor). Essa habilidade é fundamental para Administradores, pois textos oficiais e relatórios profissionais requerem objetividade — mas, ao mesmo tempo, é comum que candidatos se deparem com elementos subjetivos em textos de prova que exigem identificação.

Justificativa da alternativa correta:

A alternativa A) “Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da travessia.” deve ser marcada, pois a palavra “obviamente” expressa juízo de valor do autor, indicando seu posicionamento pessoal — característica típica da linguagem subjetiva. Pela norma-padrão (Nova Gramática do Português Contemporâneo, Cunha & Cintra), expressões opinativas quebram a impessoalidade objetiva, trazendo emoção e análise individual — exatamente o que se pede identificar.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Relata um fato sobre a atuação do fotógrafo, sem traço de opinião ou sentimento do autor: linguagem objetiva.
  • C) Expõe dados verídicos sobre mortes por hipotermia entre refugiados, mantendo a imparcialidade informativa.
  • D) Embora apareça um sentimento — “o mais chocante” — não é do autor do texto, mas sim relatando a percepção de Messinis. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), quando a análise é atribuída a outrem, mantém-se a objetividade na narração.

Resumo estratégico:

Foque em sinais claros de subjetividade (termos como “obviamente”, “certamente”, “infelizmente”) versus linguagem factual. Atente-se a pegadinhas em que sentimentos são atribuídos a terceiros — o que, pela gramática, não denota subjetividade do autor da matéria.

Referências: Cunha & Cintra; Evanildo Bechara; Manual de Redação da PR.

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Comentários

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Gabarito A

 

Subjetividade é o que se passa no intimo do individuo. É como ele vê, sente, pensa à respeito sobre algo e que não segue um padrão, pois sofre influências da cultura, educação, religião e experiências adquiridas. 

-Subjetividade é quando expressamos nosso ponto de vista pessoal, de acordo com as influências acima descritas

 

Discordo do gabarito. Uma análise subjetiva da questão é de que os bebês são os mais vulneráveis? Não entendo porque isto seria uma subjetividade do autor, sendo que de fato, eles são os mais vulneráveis. Pessoalmente, acredito que a alternativa D seria a mais correta quando o autor menciona que retrata pessoas com "o rosto de sofrimento da guerra"... :/

"trazem no rosto o sofrimento da guerra"  !!!???

tem algo mais subjetivo que isso!!!

Tô ficando louco com essa banca!!!

A banca pede a análise subjetiva do AUTOR do texto, ou seja, de Diogo Schelp. Na letra D, o autor cita a fala de Messinis ("Messinis diz") e não expõe a sua subjetividade, por isso a letra A é a correta.

Felipe Galini, Como disse a colega Carolzinha P.: na alternativa D, o autor cita a fala de Messinis. Já a alternativa A, com o advérbio "OBVIAMENTE", já caracteriza subjetividade.

 

 

 

Portanto, assertiva A

 

 

 

 

Bons Estudos!

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