Ao argumentar em relação ao ensino religioso nas escolas púb...
Ensino laico
Levar o ensino religioso a escolas federais, estaduais e municipais, mesmo com matrícula facultativa, mostrou-se um erro do constituinte. Não se trata aqui de contestar a importância da fé para indivíduos ou para a sociedade; a questão é que as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas.
Sendo assim, resta pouco sentido em consumir tempo e recursos escassos da educação do país com algo que outras entidades já fazem com eficiência.
A introdução da disciplina no currículo criou a dificuldade de conciliá-la com o princípio da laicidade do Estado, segundo o qual este deve manter posição de neutralidade plena em relação a todos os credos – e também à descrença de parte dos cidadãos.
Ora, dado que tanto o ensino religioso quanto a laicidade são mandamentos da Constituição, o modo menos canhestro de harmonizá-los é sacrificando qualquer caráter confessional, isto é, toda associação direta do poder público com esta ou aquela fé.
Na impossibilidade de proporcionar aulas associadas a todas as preferências, afigura-se mais adequado abraçar um modelo em que se tenta abordar o fenômeno religioso no que ele tem de universal, explicando o surgimento das principais doutrinas. Às próprias igrejas caberia levar ensinamentos mais dogmáticos a seus fiéis.
Espera-se, assim, que a maior parte dos ministros que ainda não votaram o julgamento de ação direta de inconstitucionalidade que contesta o ensino religioso de caráter confessional em escolas públicas acompanhe o relator, para o qual o tratamento da disciplina na rede pública precisa ser necessariamente não confessional, isto é, desvinculado de crenças específicas.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 20.09.2017. Adaptado)
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Tema central: Interpretação de Textos. A questão exige identificar, com base na leitura atenta e crítica do texto, o posicionamento do editorial sobre o ensino religioso nas escolas públicas, envolvendo conceitos de coesão, coerência e semântica conforme as gramáticas de referência (Bechara, Cunha & Cintra).
Comentário da alternativa correta – C:
Segundo a norma-padrão e os princípios de leitura interpretativa, para resolver questões desse tipo, é fundamental identificar ideias explícitas e implicações indiretas do texto. No trecho “Às próprias igrejas caberia levar ensinamentos mais dogmáticos a seus fiéis”, o editorial deixa implícito que o papel das escolas não é transmitir doutrinas específicas, mas ensinar sobre o fenômeno religioso de maneira informativa e não confessional. Assim, a alternativa C sintetiza fielmente esse argumento, postulando que o ensino não confessional (neutro) cabe à escola, enquanto o caráter dogmático deve ficar sob responsabilidade das igrejas.
Análise das alternativas incorretas:
A) Fala em “parceria entre Estado e igrejas”, contrariando o princípio de laicidade destacado no texto, que defende a neutralidade do Estado quanto a credos.
B) Afirma que “igrejas precisam do espaço escolar para divulgar doutrinas”, negado pelo texto: “as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas”.
D) Traz a ideia de “coerção aos abusos”, mas o texto propõe prevenir o caráter confessional, não apenas coibir abusos – há diferença entre prevenção (modelo proposto) e ação repressiva (foco do item D).
E) Defende tornar o ensino religioso obrigatório, enquanto o texto sustenta a laicidade e a facultatividade da disciplina.
Dicas de prova: Procure palavras-chave e conectivos que indicam oposição, conclusão ou causa. Fique atento a generalizações e interpretações distorcidas das ideias do texto, usualmente utilizadas como pegadinha.
Resumo da regra: De acordo com Evanildo Bechara, a boa interpretação envolve comparação rigorosa entre as alternativas e o sentido literal/implícito do texto; desvie de alternativas que distorcem o tópico central.
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Comentários
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Assertiva C
cabe a elas fomentar a discussão quanto ao surgimento das principais doutrinas, numa proposta não confessional, ficando sob responsabilidade das igrejas os ensinamentos mais dogmáticos.
O texto deixa bem claro que as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas.
Gabarito (c)
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