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Q1069234 Português

Ensino laico

       Levar o ensino religioso a escolas federais, estaduais e municipais, mesmo com matrícula facultativa, mostrou-se um erro do constituinte. Não se trata aqui de contestar a importância da fé para indivíduos ou para a sociedade; a questão é que as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas.

      Sendo assim, resta pouco sentido em consumir tempo e recursos escassos da educação do país com algo que outras entidades já fazem com eficiência.

       A introdução da disciplina no currículo criou a dificuldade de conciliá-la com o princípio da laicidade do Estado, segundo o qual este deve manter posição de neutralidade plena em relação a todos os credos – e também à descrença de parte dos cidadãos.

       Ora, dado que tanto o ensino religioso quanto a laicidade são mandamentos da Constituição, o modo menos canhestro de harmonizá-los é sacrificando qualquer caráter confessional, isto é, toda associação direta do poder público com esta ou aquela fé.

       Na impossibilidade de proporcionar aulas associadas a todas as preferências, afigura-se mais adequado abraçar um modelo em que se tenta abordar o fenômeno religioso no que ele tem de universal, explicando o surgimento das principais doutrinas. Às próprias igrejas caberia levar ensinamentos mais dogmáticos a seus fiéis.

       Espera-se, assim, que a maior parte dos ministros que ainda não votaram o julgamento de ação direta de inconstitucionalidade que contesta o ensino religioso de caráter confessional em escolas públicas acompanhe o relator, para o qual o tratamento da disciplina na rede pública precisa ser necessariamente não confessional, isto é, desvinculado de crenças específicas.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 20.09.2017. Adaptado)

Ao argumentar em relação ao ensino religioso nas escolas públicas, o editorial deixa claro que
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Textos. A questão exige identificar, com base na leitura atenta e crítica do texto, o posicionamento do editorial sobre o ensino religioso nas escolas públicas, envolvendo conceitos de coesão, coerência e semântica conforme as gramáticas de referência (Bechara, Cunha & Cintra).

Comentário da alternativa correta – C:

Segundo a norma-padrão e os princípios de leitura interpretativa, para resolver questões desse tipo, é fundamental identificar ideias explícitas e implicações indiretas do texto. No trecho “Às próprias igrejas caberia levar ensinamentos mais dogmáticos a seus fiéis”, o editorial deixa implícito que o papel das escolas não é transmitir doutrinas específicas, mas ensinar sobre o fenômeno religioso de maneira informativa e não confessional. Assim, a alternativa C sintetiza fielmente esse argumento, postulando que o ensino não confessional (neutro) cabe à escola, enquanto o caráter dogmático deve ficar sob responsabilidade das igrejas.

Análise das alternativas incorretas:

A) Fala em “parceria entre Estado e igrejas”, contrariando o princípio de laicidade destacado no texto, que defende a neutralidade do Estado quanto a credos.

B) Afirma que “igrejas precisam do espaço escolar para divulgar doutrinas”, negado pelo texto: “as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas”.

D) Traz a ideia de “coerção aos abusos”, mas o texto propõe prevenir o caráter confessional, não apenas coibir abusos – há diferença entre prevenção (modelo proposto) e ação repressiva (foco do item D).

E) Defende tornar o ensino religioso obrigatório, enquanto o texto sustenta a laicidade e a facultatividade da disciplina.

Dicas de prova: Procure palavras-chave e conectivos que indicam oposição, conclusão ou causa. Fique atento a generalizações e interpretações distorcidas das ideias do texto, usualmente utilizadas como pegadinha.

Resumo da regra: De acordo com Evanildo Bechara, a boa interpretação envolve comparação rigorosa entre as alternativas e o sentido literal/implícito do texto; desvie de alternativas que distorcem o tópico central.

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Comentários

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Assertiva C

cabe a elas fomentar a discussão quanto ao surgimento das principais doutrinas, numa proposta não confessional, ficando sob responsabilidade das igrejas os ensinamentos mais dogmáticos.

O texto deixa bem claro que as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas.

Gabarito (c)

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