Paciente 62 anos, sexo masculino, usuário de drogas injetáve...

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Q3875635 Medicina
Paciente 62 anos, sexo masculino, usuário de drogas injetáveis, descobre que é portador de infecção pelo vírus da hepatite C, após investigação de alteração de transaminases, confirmada por carga viral positiva por técnica de PCR. Submetido a exames iniciais que demonstram função renal normal e marcadores não-invasivos negativos para a presença de fibrose hepática avançada (APRI < 1). É submetido a tratamento por 12 semanas com sofosbuvir e daclatasvir e repete a carga viral 12 semanas após o término de tratamento com resultado negativo. Nesse momento a melhor conduta é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: HCV-RNA negativo 12 semanas após o tratamento caracteriza resposta virológica sustentada (cura virológica). Como o paciente não tem fibrose avançada/cirrose, não precisa seguimento hepático específico por HCV; porém, por manter risco contínuo de reinfecção devido ao uso de drogas injetáveis, a vigilância deve ser feita com HCV-RNA, ao menos anual, e não com anti-HCV. Isso sustenta a alternativa C.

Tema central: Seguimento pós-SVR da hepatite C
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque confunde cura virológica do episódio atual com ausência de necessidade de vigilância. O paciente tem SVR12, mas continua com fator de risco para nova infecção por HCV; portanto, alta sem monitorização ignora o critério decisivo de reinfecção em usuário de drogas injetáveis.
B
Errada
Está errada porque o exame proposto não serve para esse objetivo. Após cura virológica, o anti-HCV tende a permanecer positivo, então não diferencia infecção passada curada de reinfecção. O método correto de vigilância é HCV-RNA, não sorologia anti-HCV.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o paciente já atingiu SVR12, o que caracteriza cura da infecção tratada, portanto não há indicação de retratamento. Como não há fibrose avançada, também não se justifica seguimento por doença hepática crônica relacionada ao HCV. O ponto que mantém necessidade de acompanhamento é o risco contínuo de nova exposição por uso de drogas injetáveis. Nessa situação, a vigilância deve ser feita com carga viral, porque a reinfecção só é detectada por HCV-RNA; a diretriz citada na base sustenta avaliação ao menos anual.
D
Errada
Está errada porque retratamento só tem lugar em falha virológica ou nova infecção documentada. Aqui houve negativação do HCV-RNA 12 semanas após o tratamento, achado que define SVR12 e exclui falha terapêutica do episódio tratado. Reiniciar o mesmo esquema por 24 semanas seria conduta tecnicamente inadequada nesse cenário.
E
Errada
Está errada pelo mesmo motivo da alternativa D. Há duplicação da proposta de retratamento, mas o dado decisivo do caso é que o paciente já obteve cura virológica, sem evidência de persistência viral nem reinfecção documentada.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões: achar que SVR12 permite alta irrestrita mesmo em quem mantém risco de nova exposição e usar anti-HCV para rastrear reinfecção, embora esse anticorpo permaneça reagente após cura.
Dica para questões semelhantes
  • Em hepatite C tratada, HCV-RNA negativo 12 semanas após o fim da terapia define cura virológica do episódio.
  • Após SVR, anti-HCV não serve para vigiar reinfecção; o exame útil é HCV-RNA.
  • Sem cirrose ou fibrose avançada, o seguimento específico por HCV muda; o que mantém monitorização é risco contínuo de reinfecção.
  • Retratamento não se indica após SVR12 na ausência de nova viremia documentada.

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