Considere o seguinte cenário: Estudantes do Ensino Médio, a...
Considere o seguinte cenário:
Estudantes do Ensino Médio, ao lerem o trecho abaixo, questionam uma regra gramatical:
“Já entrei em flow enquanto escrevia diversos textos: é como se as palavras fluíssem para a página, como foi descrito pelos entrevistados de Csikszentmihalyi. Mas, justamente neste texto sobre flow, pareço estar tendo alguma dificuldade.”. (Sublinhado inserido).
“– Professora, se “mas” é uma conjunção adversativa, qual é o termo ou oração que essa conjunção está contrastando?”. A professora reconhece tamanha inquietação e explica o fenômeno linguístico.
Dado o contexto acima, analise as asserções I e II e a relação entre elas.
I- Ao se depararem com essa situação, os estudantes questionam uma norma da gramática tradicional de que conjunções adversativas opõem dois termos ou duas orações de funções sintáticas idênticas. Para entender o questionamento e a sua explicação, é necessário pensar para além de uma regra fixa e entender que os elementos têm comportamento diversos conforme o contexto de uso.
PORQUE
II- Além de ligar termos ou orações, o conectivo mas pode ligar porções maiores de texto, expressando relação de contraste entre mas dois fatos e ideias ou uma quebra de expectativa em relação à proposição anterior. Dentre os valores possíveis, essa conjunção pode indicar ressalva, como faz Maria Clara Rossini para realçar a dificuldade no seu estado de fluxo
A respeito dessas asserções, assinale a opção CORRETA:
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Gabarito comentado
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Gabarito: C
Tema central: O tema da questão é interpretação de texto associada à função da conjunção adversativa “mas” e à coesão textual. A questão exige compreender que a norma-padrão prevê o uso da conjunção "mas" para ligação de orações ou termos (de função sintática equivalente), mas também admite seu uso de forma mais ampla no texto, como mecanismo de articulação discursiva.
Justificativa da alternativa correta (C):
Asserção I: Está correta, pois alunos inicialmente estranham ver “mas” conectando, aparentemente, não duas orações paralelas, mas sim uma ideia construída ao longo do texto anterior. Conforme explicitado por Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), as conjunções, em contexto real de uso, podem ligar não apenas termos ou orações, mas também períodos, parágrafos e segmentos mais amplos do discurso, sinalizando mudança de direção, restrição ou contraste global.
Asserção II: Também correta, pois explica que “mas” pode, em linguagem menos rígida, servir para introduzir uma ressalva, contrapor um comentário esperado ou criar um efeito de quebra de expectativa em relação ao texto precedente – que é exatamente o que ocorre no trecho: o texto aponta experiências de sucesso no “flow”, mas, neste texto específico, a autora encontra dificuldade.
A II justifica a I porque traz a explicação contextual de por que “mas” é empregado dessa maneira, indo além da regra tradicional e cabendo em um uso discursivo e coesivo, como prevê a gramática descritiva.
Análise das alternativas incorretas:
A) ERRADA. A II justifica sim a I, ambas são corretas e conectadas.
B) ERRADA. A II também é verdadeira, fundamentada em gramáticas modernas.
D) ERRADA. A I está correta, pois reflete a realidade de uso da língua.
E) ERRADA. Ambas são verdadeiras e bem fundamentadas.
Estratégia para a prova: Sempre que encontrar conectivos aparentemente “soltos”, observe o contexto discursivo: muitas vezes o sentido de oposição, concessão ou restrição se faz não linha a linha, mas em relação ao desenvolvimento das ideias do texto. Isso pode ser uma “pegadinha” comum! Procure identificar qual ideia está sendo contrastada no nível textual mais amplo, não apenas entre orações vizinhas.
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Comentários
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Acredito que o MAS foi usado justamente como contraste e não ressalva.. Questão confusa..
A resposta correta é a alternativa C: As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
Análise detalhada:
- Asserção I:
- Verdadeira: A asserção I está correta ao apontar que os estudantes questionam uma regra gramatical tradicional de forma pertinente. A ideia de que conjunções adversativas sempre ligam termos ou orações de mesma função sintática é uma simplificação excessiva. A língua é um organismo vivo e as regras gramaticais são flexíveis, adaptando-se aos contextos de uso.
- Importância de pensar além da regra: A asserção enfatiza a necessidade de analisar o funcionamento da língua em contextos específicos, indo além de regras fixas e abstratas.
- Asserção II:
- Verdadeira: A asserção II complementa a primeira ao apresentar uma explicação mais completa sobre o uso da conjunção "mas". Ao afirmar que "mas" pode ligar porções maiores de texto e expressar uma quebra de expectativa, ela demonstra a versatilidade desse conectivo e a sua capacidade de estabelecer relações semânticas complexas.
- Justificativa da asserção I: A asserção II justifica a I ao mostrar que o questionamento dos estudantes é válido, pois a conjunção "mas" pode ter um funcionamento mais amplo do que o previsto pela regra tradicional.
Relação entre as asserções:
As duas asserções se complementam de forma coesa. A primeira apresenta o problema, ou seja, o questionamento dos estudantes sobre o uso da conjunção "mas". A segunda oferece uma solução, ou seja, uma explicação mais abrangente sobre o funcionamento desse conectivo.
Ambas as asserções são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. Ao analisar o exemplo do texto, a professora demonstra a importância de uma abordagem mais flexível e contextualizada do ensino da gramática, incentivando os alunos a pensar criticamente sobre a língua e a reconhecer a diversidade de seus usos.
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Tenho corpo, mas não tenho alma. Posso ser grande ou pequena, mas nunca me movo. Sou feita de muitas folhas, mas não sou uma árvore. Guardo histórias, mas não falo.
O que sou?
Dizer que "conjunções adversativas opõem dois termos ou duas orações de funções sintáticas idênticas" é um erro grotesco.
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