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Q4040241 Português

O passado português do estreito de Ormuz, no centro das atenções pela guerra no Irã 


Em uma crônica do século XVI, o historiador português João de Barros descreveu Ormuz como uma cidade localizada quase na entrada do estreito do mar da Pérsia. Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e enxofre, onde não crescia vegetação. Ainda assim, destacava-se pela imponência de seus edifícios e pela intensa atividade comercial, funcionando como ponto de encontro de mercadorias vindas do Oriente e do Ocidente. Mesmo sem produzir riquezas naturais, a cidade prosperava por meio do comércio, sendo comparada a uma joia valiosa em meio ao mundo.


Atualmente, em evidência por questões geopolíticas envolvendo conflitos no Oriente Médio, o estreito de Ormuz já integrou o conjunto de territórios conquistados por Portugal durante o período das Grandes Navegações. Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a presença portuguesa na região teve caráter predominantemente estratégico. Os portugueses estabeleceram uma fortaleza e utilizaram a cidade situada na ilha de Gerum como ponto de apoio para embarcações que percorriam as rotas comerciais do Oceano Índico.


Apesar das condições naturais adversas, a localização privilegiada de Ormuz favoreceu o surgimento de uma cidade cosmopolita, essencial para a navegação de cabotagem, prática comum na época, que exigia paradas frequentes para abastecimento e comércio. A principal marca da presença portuguesa é o Forte de Nossa Senhora da Conceição, inaugurado em 1515, cujas ruínas permanecem preservadas como patrimônio histórico.


A relevância de Ormuz, no entanto, é muito anterior à chegada dos portugueses. Registros indicam sua importância comercial desde pelo menos o século II. Inicialmente situada no interior do império persa, a cidade foi posteriormente transferida para a ilha de Gerum após sucessivos ataques, o que fortaleceu ainda mais sua posição estratégica. A partir daí, consolidou-se como centro de circulação de rotas comerciais que conectavam diversas regiões da Ásia e da Europa. 


O interesse português pela região intensificou-se após a expedição de Vasco da Gama, que evidenciou a importância de Ormuz como elo entre rotas marítimas e caravanas terrestres. A cidade exercia domínio sobre áreas costeiras e ilhas do Golfo Pérsico, além de manter um comércio diversificado, com destaque para a exportação de cavalos à Índia, produto de grande valor estratégico. Também eram negociados itens como pérolas, especiarias, metais e tecidos, enquanto importavam-se alimentos e produtos aromáticos. 


O domínio português foi consolidado a partir das ações de Afonso de Albuquerque, que, em 1507, iniciou a conquista da região. Após acordos e conflitos, a presença lusitana se firmou em 1515, quando a cidade foi definitivamente submetida. Ormuz passou a integrar o sistema comercial português, funcionando como elo entre as rotas do Oriente e os mercados ocidentais, além de permitir o controle e a tributação das mercadorias que circulavam pelo estreito.


Esse domínio, entretanto, não foi permanente. A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes, especialmente por parte do Império Otomano e, posteriormente, de forças persas com apoio inglês. Em 1622, após meses de cerco, as tropas portuguesas foram derrotadas e expulsas, encerrando sua presença no Golfo Pérsico.


Assim, a história de Ormuz revela a importância geopolítica e comercial do estreito ao longo dos séculos, destacando-se como ponto central nas disputas por controle das rotas entre Oriente e Ocidente. 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedz755qj05o.adaptado. 

O texto apresenta informações sobre a importância histórica de Ormuz, descrevendo fatos, contextos e relações comerciais ao longo do tempo.

De acordo com o texto-base, assinale a alternativa CORRETA quanto ao tipo textual predominante.

Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério central é a predominância da função expositiva: o texto apresenta e organiza informações sobre Ormuz para informar o leitor, e o próprio enunciado já o delimita como um texto que "apresenta informações sobre a importância histórica de Ormuz, descrevendo fatos, contextos e relações comerciais ao longo do tempo."

Tema central: tipo textual predominante
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a organização do texto serve à exposição de informações históricas e geopolíticas sobre Ormuz. Há traços descritivos no início e sequência cronológica em alguns trechos, mas eles aparecem como suporte para a explicação do tema, não como predominância. Assim, o conjunto textual se orienta mais por informar e contextualizar do que por descrever minuciosamente ou narrar ações.
B
Errada
Está errada porque o texto não procura convencer o leitor de um ponto de vista. Falta a estrutura típica de argumentação: tese a defender, razões para sustentar opinião, possível contraposição e conclusão persuasiva. O fecho "Assim, a história de Ormuz revela a importância geopolítica e comercial do estreito ao longo dos séculos" resume a exposição feita antes; não funciona como defesa argumentativa.
C
Errada
Está errada porque a descrição aparece apenas como recurso localizado, não como eixo do texto. Há caracterização em passagens como a da crônica de João de Barros, mas o conjunto textual vai além de descrever: explica contexto histórico, função comercial, domínio português, disputas e consequências. Portanto, a descrição é subordinada à exposição.
D
Errada
Está errada porque, embora existam fatos em sequência temporal, o texto não se estrutura como narrativa centrada em ações encadeadas de personagens e desenvolvimento de enredo. A cronologia histórica serve para explicar a relevância de Ormuz. Em trechos como "A relevância de Ormuz, no entanto, é muito anterior à chegada dos portugueses" e "Ormuz passou a integrar o sistema comercial português", os acontecimentos aparecem como informação histórica, não como núcleo narrativo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre traços secundários e predominância textual: o primeiro parágrafo tem descrição, há cronologia histórica e o texto termina com "Assim", o que pode induzir a marcar descritivo, narrativo ou argumentativo. Mas esses elementos apenas servem à função principal de expor informações.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique pelo objetivo predominante do texto, não pela presença isolada de descrição ou cronologia.
  • Se o texto organiza informações, fatos e explicações sobre um tema para informar o leitor, a tendência é ser expositivo.
  • Só marque argumentativo quando houver defesa de tese e tentativa de persuasão, não apenas uma conclusão resumitiva.
  • Em textos históricos, sequência temporal não basta para caracterizar narrativa se os fatos estiverem a serviço da explicação.

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Comentários

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"O texto apresenta informações sobre a importância histórica de Ormuz, descrevendo fatos, contextos e relações comerciais ao longo do tempo." Aqui entregou a resposta já

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