Paciente do sexo masculino, 19 anos, obeso mórbido, dá entra...

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Q2040463 Medicina
Paciente do sexo masculino, 19 anos, obeso mórbido, dá entrada na emergência vítima de trauma abdominal penetrante por arma branca. Encontra-se lúcido e orientado; PA: 118x75mmHg, FC: 98 bpm, FR: 16irpm, Sat O2: 99%.
Apresenta lesão corto-contusa em flanco esquerdo, com dor abdominal nesta topografia, sem sinais de irritação peritoneal. A exploração da ferida na sala de trauma é muito difícil devido à obesidade, e não há certeza quanto à penetração na cavidade peritoneal.
Assinale a opção que indica a melhor conduta para o caso acima.
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Tema central da questão: Trata-se do manejo do trauma abdominal penetrante em paciente estável, com desafio adicional devido à obesidade mórbida, que dificulta a avaliação à beira-leito e a exploração da ferida.

Justificativa para a alternativa correta (E – Videolaparoscopia diagnóstica): O paciente apresenta estabilidade hemodinâmica (PA estável, frequência cardíaca normal), lúcido, sem sinais de irritação peritoneal, porém com ferida que não pôde ser adequadamente avaliada. Nessas situações, confirmação da penetração peritoneal é o passo-chave para direcionar a conduta.
A videolaparoscopia diagnóstica tem sido indicada como método padrão em casos onde a exploração da ferida não é possível ou é inconclusiva, permitindo avaliação direta e com menor morbidade do que a laparotomia convencional. É método seguro, fornece diagnóstico preciso e pode ser terapêutica se necessário.
Segundo diretriz do Manual de Cirurgia do Trauma da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT), “a videolaparoscopia é recurso válido em pacientes estáveis com dúvida sobre penetração peritoneal por feridas, especialmente quando a avaliação clínica é limitada” (cap.14).

Análise das alternativas incorretas:

A) Observação clínica: Só é indicada quando há certeza de que não houve penetração peritoneal ou quando a ferida pode ser explorada adequadamente. Neste caso, a incerteza e a limitação da avaliação física tornam a observação isolada inadequada.

B) Avaliação com FAST: O FAST pode não ser sensível para pequenas quantidades de líquido livre ou lesões de vísceras ocas e sua acurácia é menor em obesos. Não esclarece a dúvida sobre penetração peritoneal.

C) TC de abdome e pelve: Apesar de útil na avaliação de algumas lesões do trauma, não é suficientemente sensível para detectar todas as penetrações peritoneais em ferimentos de arma branca, principalmente em contexto de dúvida anatômica como no caso apresentado.

D) Laparotomia exploradora: Conduta invasiva, com risco elevado de complicações, reservada para pacientes instáveis ou com sinais objetivados de lesão intra-abdominal.

Estratégia de prova: Atenção quando o enunciado enfatiza dificuldade de exploração e incerteza diagnóstica: valorize métodos diagnósticos minimamente invasivos.

Resumo: Paciente estável, ferida abdominal duvidosa e dificuldade de avaliação física impõem a videolaparoscopia diagnóstica como a alternativa mais segura e alinhada às melhores práticas.

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A melhor conduta para o caso apresentado é a videolaparoscopia diagnóstica, alternativa E. A videolaparoscopia é um procedimento minimamente invasivo, em que uma pequena câmera é inserida no abdômen do paciente, permitindo a visualização dos órgãos internos. No caso descrito, a dificuldade de explorar a ferida na sala de trauma devido à obesidade do paciente torna a videolaparoscopia uma opção mais segura e menos invasiva do que a laparotomia exploradora. A avaliação com FAST poderia ser uma opção, mas é menos eficaz do que a videolaparoscopia. A TC abdome e pelve também pode ser considerada, mas é menos sensível e específica do que a videolaparoscopia. A observação clínica pode ser arriscada em casos de trauma abdominal penetrante, pois a lesão pode evoluir para uma perfuração intestinal, o que pode levar a uma peritonite e à morte do paciente.

Alternativa correta: E. Videolaparoscopia diagnóstica.

Justificativa: A videolaparoscopia diagnóstica é indicada para avaliar a extensão da lesão em pacientes com trauma abdominal penetrante, especialmente quando a exploração clínica é difícil, como no caso de pacientes com obesidade mórbida. Este procedimento permite uma visualização direta da cavidade peritoneal e pode ajudar a confirmar a penetração e a extensão das lesões, além de possibilitar intervenções terapêuticas, se necessário.

Análise das demais alternativas:

  • A. Observação clínica: Não é suficiente neste caso, dada a dificuldade de explorar a ferida e a incerteza quanto à penetração peritoneal.
  • B. Avaliação com FAST: Embora útil para detectar líquido livre, pode não fornecer informações detalhadas suficientes sobre a lesão e a extensão da penetração.
  • C. TC abdome e pelve: É uma opção válida, mas pode não ser tão eficaz quanto a videolaparoscopia para avaliar diretamente a cavidade peritoneal em casos de trauma penetrante.
  • D. Laparotomia exploradora: Pode ser considerada se houver sinais de piora clínica, mas a videolaparoscopia é menos invasiva e pode fornecer informações valiosas para a tomada de decisão.

Em resumo: A videolaparoscopia diagnóstica é a conduta mais adequada para este paciente, considerando sua condição estável e a necessidade de avaliação detalhada das lesões.

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