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Q2606933 Medicina
        Paciente, de 65 anos de idade, sexo masculino, chegou ao consultório de cirurgia de cabeça e pescoço com disfonia moderada, engasgos frequentes e nódulos cervicais bilaterais. A investigação clínica levou ao diagnóstico de carcinoma papilar de tireoide com metástase cervical bilateral. O paciente é cardiopata grave e usa marca-passo, porém está assintomático. 

A partir do caso clínico apresentado, julgue o item que se segue. 


Para pacientes de alto risco cardiológico e que não podem se submeter a procedimento cirúrgico, a radioterapia juntamente com o sorafenibe é a melhor opção terapêutica.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E (Errado)

Comentário:

O tema central da questão é o tratamento do carcinoma papilífero da tireoide em pacientes de alto risco cirúrgico. Trata-se do câncer diferenciado da tireoide mais comum, geralmente de bom prognóstico com tratamento adequado.

Na prática, o tratamento padrão do carcinoma papilífero da tireoide é cirúrgico (tireoidectomia com linfadenectomia nos casos de metástase cervical). Entretanto, nem todos os pacientes são candidatos à cirurgia, como no caso apresentado devido ao risco cardiológico elevado.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, “O tratamento primário é cirúrgico. Em situações de contraindicação absoluta à cirurgia, pode-se lançar mão de tratamentos alternativos, como a radioterapia externa, mas essa não é a abordagem de escolha.” (PCDT Carcinoma Diferenciado da Tireoide, p. 33)

O iodo radioativo é a alternativa mais frequentemente recomendada para carcinoma diferenciado da tireoide quando há contraindicação cirúrgica — desde que a captação tumoral seja adequada. A radioterapia externa pode ser indicada como paliativa em casos inoperáveis, invasão de estruturas locais ou sintomas compressivos, sendo considerada terapêutica adjuvante ou em recidivas, não método de escolha primário.

O sorafenibe (inibidor de tirosina quinase), conforme diretrizes e literatura como Harrison’s Principles of Internal Medicine, é reservado para tumores progressivos, localmente avançados ou metastáticos, refratários ao iodo radioativo — não como opção inicial, nem combinado sistematicamente à radioterapia externa.

Portanto, a alternativa está errada: a associação de radioterapia e sorafenibe não constitui a melhor opção terapêutica inicial para pacientes inoperáveis de alto risco; ambos são recursos de exceção e não substituem cirurgia e iodo radioativo como padrão.

Pegadinha: Questões de concurso podem sugerir o uso combinado de terapias avançadas para casos graves. Fique atento: nem sempre o tratamento mais agressivo ou “moderno” é o melhor ou está indicado, especialmente se não corresponder à sequência lógica das diretrizes clínicas!

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