De acordo com o texto, onde o narrador reside atualmente?
Leia o texto a seguir para responder a questão.
"Eu ME TORNEI o QUE sou HOJE aos doze anos, em um dia nublado e gélido do inverno de 1975. Lembro do momento exato em que isso aconteceu, quando estava agachado por detrás de uma parede de barro parcialmente desmoronada, espiando o beco que ficava perto do riacho congelado. Foi há muito tempo, mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar. Olhando para trás, agora, percebo que passei os últimos vinte e seis anos da minha vida espiando aquele beco deserto. Um dia, no verão passado, meu amigo Rahim Khan me ligou do Paquistão. Pediu que eu fosse vê-lo. Parado ali na cozinha, com o fone no ouvido, sabia muito bem que não era só Rahim Khan que estava do outro lado daquela linha. Era o meu passado de pecados não expiados. Depois que desliguei, fui passear pelo lago Spreckels, na orla norte do parque da Golden Gate. O sol do início da tarde cintilava na água onde navegavam dezenas de barquinhos em miniatura, impulsionados por um ventinho ligeiro. Olhei então para cima e vi um par de pipas vermelhas planando no ar, com rabiolas compridas e azuis. Dançavam lá no alto, bem acima das árvores da ponta oeste do parque, por sobre os moinhos, voando lado a lado como um par de olhos fitando San Francisco, a cidade que eu agora chamava de lar. E, de repente, a voz de Hassan sussurrou nos meus ouvidos: "Por você, faria isso mil vezes!" Hassan, o menino de lábio leporino que corria atrás das pipas como ninguém." (HOSSEINI, Khaled. O Caçador de Pipas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.)
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Tema da questão: Interpretação de texto (localização de informação explícita com auxílio de marcadores temporais e elementos de coesão).
Estratégia de resolução:
- Procure palavras-chave que respondam diretamente ao que se pergunta. Aqui, o foco é “onde o narrador reside atualmente”.
- Observe o marcador temporal do enunciado no texto: termos como “agora” sinalizam o tempo presente do narrador no momento em que conta a história.
- Associe o marcador temporal à informação de lugar: “agora chamava de lar” → indica residência atual.
Trecho-chave do texto: “...por sobre os moinhos, voando lado a lado como um par de olhos fitando San Francisco, a cidade que eu agora chamava de lar.”
Alternativa correta: A — San Francisco
Por quê? O próprio texto informa, de forma explícita, que o narrador, no tempo da narração, considera San Francisco seu “lar”, isto é, o lugar onde reside. O advérbio temporal “agora” é determinante para indicar a atualidade da informação.
Por que as demais estão incorretas?
- B — Paquistão: aparece como o lugar de onde o amigo liga (“Rahim Khan me ligou do Paquistão”), não como residência do narrador.
- C — Afeganistão: refere-se ao passado do narrador (infância, memórias e culpas), mas o texto não o apresenta como local de moradia atual.
- D — Londres: não é mencionada no texto; portanto, não há base textual para essa escolha.
Dica de prova: Em textos narrativos, é comum o uso de tempos do passado combinados com advérbios como “agora”. Mesmo com verbos no pretérito (“chamava”), o advérbio de tempo define a referência atual do narrador dentro da narrativa. Evite a pegadinha de escolher lugares apenas porque são citados; confirme se há marcador temporal que indique presente.
Base gramatical:
- Advérbios temporais como “agora” situam a ação no tempo e orientam a interpretação (cf. Bechara, Moderna Gramática da Língua Portuguesa, advérbios de tempo).
- Coesão temporal na narrativa: o pretérito pode aparecer com valor descritivo, e o advérbio delimita a referência temporal atual do enunciador (cf. Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo).
- Ortografia: topônimos como Paquistão e Afeganistão (com acento e til) acompanham o VOLP; “San Francisco” mantém a forma original do topônimo estrangeiro, uso aceito em português.
Gabarito: A
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Gabarito: A
Dançavam lá no alto, bem acima das árvores da ponta oeste do parque, por sobre os moinhos, voando lado a lado como um par de olhos fitando San Francisco, a cidade que eu agora chamava de lar.
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