Paciente masculino de 65 anos tem diagnóstico de dia...

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Q445151 Medicina
Paciente masculino de 65 anos tem diagnóstico de diabetes mellitus do tipo 2 há 15 anos. Há 1 ano foi necessário iniciar insulinoterapia, pois não estava sendo possível o controle glicêmico apenas com hipoglicemiantes orais. Seus familiares o trouxeram hoje ao serviço de emergência, pois paciente estava com rebaixamento do nível de consciência. Exames laboratoriais de admissão mostraram: glicemia = 412 mg/dl, pH 7,20, bicarbonato sérico = 12 mEq/l, K+ = 3,0 e contagem de leucócitos = 16.000 cél/mm3 . Suspeitando-se que o paciente esteja com um quadro de complicação aguda do diabetes, está correta a seguinte afirmativa: 
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Tema central: Complicações agudas do diabetes mellitus – cetoacidose diabética (CAD)

A questão aborda um caso clínico típico de cetoacidose diabética, condição potencialmente grave associada a hiperglicemia, acidose metabólica e deficiência de insulina. Os achados laboratoriais (glicemia elevada, pH ácido, bicarbonato baixo e hipocalemia) são critério diagnóstico clássico da CAD, segundo a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Ministério da Saúde.

Justificativa da alternativa correta (B):

De acordo com o Protocolo de Crises Hiperglicêmicas Agudas da AMB:
“Os três componentes importantes na terapia da CAD incluem: correção hidroeletrolítica, insulinoterapia e tratamento das condições médicas associadas.” A primeira medida é hidratação venosa, fundamental para reverter a hipovolemia e facilitar a ação da insulina. A reposição de potássio é obrigatória se os níveis estiverem <3,3 mEq/L antes do início da insulina, pois esta acentua a entrada de K+ nas células e pode precipitar arritmias graves.

Por que as demais alternativas estão incorretas?

A) Estado hiperosmolar não cursa, tipicamente, com acidose metabólica. Apesar do paciente ser DM2, o quadro laboratorial é de CAD. A presença de acidose (pH baixo e HCO3− baixo) define o diagnóstico – CAD também ocorre em DM2 sob estresse metabólico.
C) Iniciar insulina sem corrigir hipopotassemia (<3,3) pode ser fatal, pois a insulina agravará a redistribuição do potássio e precipitar arritmias. A hipopotassemia NUNCA é considerada leve nesse contexto.
D) Bicarbonato só é indicado em acidose muito grave (pH<6,9). Com bicarbonato de 12 mEq/L e pH 7,20, a medida não é recomendada.
E) Leucocitose pode ocorrer por estresse metabólico. Não define infecção obrigatoriamente nas crises hiperglicêmicas, sendo um achado frequente sem infecção associada.

Evidências e protocolos:
Segundo a diretriz da AMB:
“A reposição hidroeletrolítica e o manejo do potássio precedem a insulinoterapia para evitar complicações.” (AMB, Projeto Diretrizes. Crises Hiperglicêmicas).

Dica de prova: Atenção aos termos laboratoriais e ordem do manejo; insulinoterapia só após nível de potássio ser seguro (>3,3 mEq/L). Questões de concurso costumam cobrar esse detalhe como “pegadinha”.

Conclusão: A alternativa B está correta por seguir rigorosamente as recomendações atuais para o manejo da CAD.

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Comentários

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alternativa correta: B. a medida inicial correta é hidratação venosa associada a reposição eletrolítica e, após, início de baixas doses de insulina.

justificativa

No contexto de uma complicação aguda do diabetes, como a cetoacidose diabética (CAD) ou estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH), a prioridade no tratamento inicial é a hidratação venosa. Isso ajuda a corrigir a desidratação grave, que é uma característica comum nesses estados. Além disso, a reposiçãode eletrólitos, especialmente o potássio, é crucial antes do início da insulina, para evitar complicações adicionais, como a hipocalemia. Somente após a estabilização inicial com fluidos e eletrólitos é que a insulina deve ser administrada para corrigir a hiperglicemia de forma controlada.

análise das demais alternativas

[A]: [provavelmente trata-se de um quadro de estado hiperosmolar, pois o paciente é portador de diabetes mellitus do tipo 2] – Incorreta. O paciente tem sinais de acidose (pH baixo, bicarbonato baixo) que são indicativos de cetoacidose diabética (CAD), mesmo em pacientes com DM tipo 2.

[C]: [o mais importante é iniciar imediatamente tratamento com insulina, mesmo antes da reposição de potássio, visto que a hipopotassemia neste nível é considerada leve] – Incorreta. A reposição de potássio é crítica e deve preceder a administração de insulina, especialmente em casos de hipocalemia (K+ = 3,0 mEq/L).

[D]: [a dosagem de bicarbonato sérico abaixo de 15 mEq/l é uma das indicações para reposição venosa de bicarbonato, visando a correção da acidose metabólica] – Incorreta. O uso de bicarbonato na CAD é controverso e geralmente reservado para casos de acidose grave (pH < 6,9).

[E]: [a leucocitose apresentada pelo paciente indica que há um processo infeccioso vigente, pois as crises hiperglicêmicas agudas não são causa de aumento do número de leucócitos] – Incorreta. A leucocitose pode ocorrer em resposta ao estresse metabólico da CAD, mesmo na ausência de infecção.

resumo: A medida inicial correta no tratamento de complicações agudas do diabetes é a hidratação venosa e reposição eletrolítica, seguida da administração de insulina.

pontos chave

  • Hidratação venosa: Primeira medida no tratamento.
  • Reposição eletrolítica: Crucial antes da insulina.
  • Administração de insulina: Após estabilização inicial.
  • Identificação de CAD: Considerar sinais de acidose mesmo em DM tipo 2.

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