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Q2088560 Medicina
Paciente, sexo feminino, 40 anos, apresenta quadro de dor em hipocôndrio direito, icterícia e dispepsia. Exames laboratoriais de 30 dias atrás: AST: 100U/L; ALT: 120U/L; bilirrubina total: 3,2mg/dL; bilirrubina direta: 2,8mg/dL; bilirrubina indireta: 0,4; Fosfatase alcalina: 250U/L. Exames laboratoriais atuais: AST: 99U/L; ALT: 118U/L; bilirrubina total: 3,1mg/dL; bilirrubina direta: 2,8mg/dL; bilirrubina indireta: 0,3; Fosfatase alcalina: 270U/L. Ultrassonografia revela um colédoco com 10 mm de diâmetro, sem evidência de cálculos em vesícula ou via biliar. Discreta dilatação das vias biliares intra-hepáticas. Foi feita a hipótese diagnóstica de Disfunção do Esfíncter de Oddi (DEO).
Considerando que a hipótese diagnóstica e sua classificação estão adequadas, assinale a afirmativa INCORRETA. 
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Tema central: O foco da questão é a Disfunção do Esfíncter de Oddi (DEO), destacando seu diagnóstico e conduta terapêutica no contexto de endoscopia.

Análise do quadro clínico: A paciente apresenta dor em hipocôndrio direito, icterícia, alterações persistentes em exames hepáticos (elevação de AST, ALT, bilirrubina direta e fosfatase alcalina), além de colédoco dilatado sem cálculos à ultrassonografia. Esses achados preenchem critérios para DEO tipo I: dor biliar, anormalidades laboratoriais e dilatação das vias biliares.

Justificativa da alternativa correta (B): B) É obrigatória a realização de manometria do esfíncter de Oddi.
Está incorreta. Segundo consensos e evidências científicas, como o UpToDate e as principais diretrizes internacionais de Gastroenterologia, a manometria do esfíncter de Oddi é indicada para casos tipo II e III. No tipo I, o diagnóstico é clinicamente definido e a esfincterotomia pode ser feita sem manometria prévia devido ao alto valor preditivo positivo. A realização da manometria nesses casos não é obrigatória e pode aumentar o risco de complicações, como pancreatite.

Análise das demais alternativas:

A) Está indicada a realização de esfincterotomia.
Correta. Nos pacientes com DEO tipo I, a esfincterotomia é o tratamento de escolha de acordo com as recomendações atuais, devido à clara correlação clínica, laboratorial e radiológica.

C) Indometacina retal pode ser utilizada para profilaxia contra pancreatite pós-CPRE.
Correta. Diversos estudos mostram eficácia da indometacina retal na redução do risco de pancreatite pós-CPRE, sendo prática consolidada nas unidades de endoscopia.
“Retal indomethacin, administered before or immediately after ERCP, is recommended for all patients at high risk for post-ERCP pancreatitis.” (UpToDate, 2023)

D) O implante de stent pancreático pode ser indicado em casos selecionados de DEO.
Correta. O uso de stent pancreático profilático está indicado para evitar complicações pós-procedimento em DEO, especialmente quando se manipula o orifício pancreático durante a esfincterotomia.

Estratégia para provas: Atenção ao termo “obrigatória”, pois demonstra pegadinha: muitos protocolos atuais visam reduzir intervenções invasivas desnecessárias. Busque sempre a alternativa que foge do consenso técnico atual.

Resumo: Para DEO tipo I, a manometria não é obrigatória. A esfincterotomia é indicada. Perfilaxia com indometacina retal e stent pancreático são práticas corretas em contextos apropriados.

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Comentários

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A questão apresenta um cenário clínico e pede para identificar a afirmação incorreta sobre a condução do caso. A alternativa B diz que "É obrigatória a realização de manometria do esfíncter de Oddi". No entanto, embora a manometria do esfíncter de Oddi possa auxiliar no diagnóstico da Disfunção do Esfíncter de Oddi (DEO), ela não é obrigatória. Na verdade, a DEO é um diagnóstico clínico baseado em uma combinação de sintomas, exames laboratoriais e achados de imagem. A manometria é um procedimento invasivo que pode ser útil em casos selecionados, mas não é exigido para estabelecer o diagnóstico. Portanto, a afirmação B é a que está incorreta. As demais alternativas (A, C, D) estão corretas, pois esfincterotomia, uso de indometacina retal e implante de stent pancreático podem ser considerados no manejo desta condição, dependendo do caso.

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