Em relação a litíase urinária e de acordo com o perfil epid...

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Q3192100 Medicina
Em relação a litíase urinária e de acordo com o perfil epidemiológico desses casos no Brasil, podemos inferir como atores de risco:

I. Sexo masculino.
II. Distúrbios metabólicos tipo Hiperoxalúria.
III. Alterações anatômicas do trato urinário tipo duplicidade pielo-calicial.

Está(riam) correta(s):
Alternativas

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Tema central: epidemiologia e fatores de risco para litíase urinária (cálculos) no Brasil. A questão pede reconhecer quais condições aumentam a probabilidade de formar cálculos.

Gabarito: A (I, II e III)

I. Sexo masculino – Correto. Homens apresentam maior incidência de litíase (historicamente razão ~2–3:1), embora a diferença venha diminuindo com mudanças de dieta e obesidade em mulheres. Hormônios, maior ingestão de sódio/proteína animal e maior prevalência de hiperuricosúria/hipercalciúria contribuem. Evidência consistente em séries brasileiras e internacionais (UpToDate; AUA Medical Management Guideline).

II. Distúrbios metabólicos: hiperoxalúria – Correto. Aumento de oxalato urinário promove supersaturação e cristalização de oxalato de cálcio. Pode ser primária (defeitos enzimáticos) ou secundária (enteropatia perdedora de ácidos biliares, doença inflamatória intestinal, pós-bariátrica, dieta rica em oxalato e baixa ingestão de cálcio). É um dos principais determinantes metabólicos de nefrolitíase de oxalato de cálcio (UpToDate; Campbell-Walsh-Wein Urology).

III. Alterações anatômicas do trato urinário (ex.: duplicidade pielocalicial) – Correto. Anomalias estruturais favorecem estase urinária e infecções, aumentando a formação de cálculos. A duplicidade pode associar-se a ureterocele, refluxo ou drenagem ineficiente, todos fatores que elevam a supersaturação local e a nucleação cristalina. Diretrizes reconhecem malformações com estase (p. ex., junção pieloureteral, rim em ferradura, rim esponjoso medular) como risco para litíase; a duplicidade se insere nesse mecanismo fisiopatológico (SBU; Campbell-Walsh).

Por que as outras alternativas estão erradas?

B (Apenas I e II): exclui III, mas alterações anatômicas com estase são fator de risco reconhecido.

C (Apenas I e III): exclui II; hiperoxalúria é um dos principais fatores metabólicos para cálculos de oxalato de cálcio.

D (Apenas II e III): exclui I; homens têm maior incidência de nefrolitíase.

E (Apenas III): ignora dois fatores bem estabelecidos (sexo masculino e hiperoxalúria).

Estratégia para a prova: associe “epidemiologia” a perfis populacionais (sexo, idade, hábitos), “distúrbios metabólicos” a supersaturação urinária (hiperoxalúria, hipercalciúria, hipocitratúria) e “alterações anatômicas” a estase urinária. Sempre que houver estase ou aumento de soluto na urina, pense em maior risco de cálculos.

Referências essenciais: UpToDate – Kidney stones: epidemiology, risk factors; AUA Guideline: Medical Management of Kidney Stones (atualizações); Campbell-Walsh-Wein Urology; Diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (Litíase Urinária).

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