O pequeno engenheiroOu muito me engano, ou era esse mesmo o ...

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Ano: 2010 Banca: FCC Órgão: SERGAS
Q1181265 Português
O pequeno engenheiro
Ou muito me engano, ou era esse mesmo o nome de um brinquedo do meu tempo de criança. Terá conseguido sobreviver à onda das engenhocas eletrônicas de hoje? Lembrome bem dele: uma caixa de madeira, bonita, com tampa de encaixe corrediça; dentro, um grande número de pecinhas também de madeira, coloridas, de diferentes formas e dimensões. Em algumas delas estavam desenhados um relógio, uma janela, tijolinhos... O conjunto possibilitava (e mesmo inspirava) diversos tipos de edificação: castelos, torres, pontes, edifícios, estações etc. Não se tratava exatamente de uma prova de habilidade motora: não era grande a dificuldade de erguer um pequeno muro ou de dar sustentação a uma torre. Tratava-se, antes, de usar a imaginação, construir e preencher espaços, compor cenários, como quem arma a ambientação de um palco onde se desenvolverá uma história. Havia, implícita, a par da necessidade de tudo ter que parar em pé, a preocupação estética: insistir no critério da simetria ou permitir variações de padrão? Fantasiar formas ou ater-se à imitação das já bastante conhecidas? Não exagero ao dizer que tudo isso fazia de cada um de nós, para além de um pequeno engenheiro, um pequeno arquiteto, um escultor mirim, um precoce cenógrafo, um artista plástico pesquisando linguagem... De qualquer modo, esse brinquedo não me levou, na idade adulta, à engenharia, nem ao ramo de construções, nem me fez artista plástico. Ficou na memória, perdido entre outros brinquedos que dispensavam baterias, tomadas elétricas, manuais de instrução e termo de garantia. Sem dúvida havia algum encanto no trenzinho elétrico, que corria obediente pelos trilhos. A meninada ficava olhando, olhando, a princípio interessada, mas logo alguém perguntava: − Vamos brincar? Ser espectador era pouco: o corpo precisava entrar no jogo. Nem que fosse para habitar, imaginariamente, a torre de um castelo colorido, erguido há pouco com as mãos de um pequeno engenheiro que se entretinha facilmente com suas peças de madeira. (Oduvaldo Monteiro, inédito) 
Expressam-se no texto as vivas lembranças de um brinquedo que
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a compatibilidade semântica com a descrição do brinquedo no texto-base: "dentro, um grande número de pecinhas também de madeira, coloridas, de diferentes formas e dimensões. [...] Tratava-se, antes, de usar a imaginação, construir e preencher espaços [...] Fantasiar formas [...]". Esse conjunto exclui exigência motora especial e indica um brinquedo simples, mas voltado à imaginação; por isso, a alternativa E é a única que preserva esse sentido.

Tema central: paráfrase fiel do texto
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por contradição direta com o texto. A alternativa afirma que o brinquedo despertava vocação profissional, mas o narrador declara expressamente: "esse brinquedo não me levou, na idade adulta, à engenharia, nem ao ramo de construções, nem me fez artista plástico." A enumeração "pequeno engenheiro", "pequeno arquiteto" etc. tem valor imaginativo, não de previsão vocacional.
B
Errada
Está errada porque atribui ao brinquedo uma exigência de destreza especial que o texto nega. O narrador afirma: "Não se tratava exatamente de uma prova de habilidade motora" e também que "não era grande a dificuldade" de montar estruturas simples. Logo, não se pode dizer que seu funcionamento demandava especial destreza.
C
Errada
Está errada por extrapolação indevida e por troca de referente textual. O texto apenas pergunta se o brinquedo teria sobrevivido às "engenhocas eletrônicas de hoje"; não afirma que, apesar dessa concorrência, ele fosse o centro da atenção dos meninos. Além disso, a passagem em que "A meninada ficava olhando, olhando" refere-se ao "trenzinho elétrico", não ao brinquedo principal, e essa atenção ainda é apresentada como passageira.
D
Errada
Está errada porque mistura um traço compatível com outro incompatível. É sustentável dizer que o brinquedo provocava criatividade infantil, mas a afirmação de que requeria "uma perfeita coordenação de movimentos" é excluída por "Não se tratava exatamente de uma prova de habilidade motora". A parte final invalida a alternativa.
E
Certa
A alternativa E está correta porque retoma com fidelidade as duas ideias centrais explicitadas pelo narrador: o brinquedo era materialmente simples, formado por "pecinhas também de madeira", e seu efeito principal não era exigir destreza, mas estimular criação mental, como mostram "usar a imaginação" e "Fantasiar formas". Portanto, a formulação sobre a singeleza do material e o incentivo à imaginação e à fantasia corresponde ao sentido do texto sem acrescentar elemento indevido.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar expressões metafóricas como "pequeno arquiteto" e "escultor mirim" como sinal de vocação profissional e ignorar a negação explícita de habilidade motora, além de induzir o leitor a misturar o brinquedo principal com o trecho do "trenzinho elétrico".
Dica para questões semelhantes
  • Em questão de interpretação com alternativas descritivas, procure a opção que reúna os traços centrais explicitados no texto sem acrescentar consequência nova.
  • Quando o texto traz negação expressa, como "Não se tratava exatamente de uma prova de habilidade motora", elimine qualquer alternativa que afirme o contrário, mesmo que o restante pareça correto.
  • Não transfira para o brinquedo principal uma informação dada sobre outro referente do texto, como ocorre com o "trenzinho elétrico".
  • Desconfie de alternativa que transforma formulação imaginativa do texto em afirmação factual, como vocação profissional ou superioridade diante de jogos eletrônicos.

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Comentários

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Gab.: C)apesar da concorrência dos jogos eletrônicos, acabava sendo o centro da atenção dos meninos.

"Sem dúvida havia algum encanto no trenzinho elétrico, que corria obediente pelos trilhos. A meninada ficava olhando, olhando, a princípio interessada, mas logo alguém perguntava: − Vamos brincar? Ser espectador era pouco: o corpo precisava entrar no jogo. Nem que fosse para habitar, imaginariamente, a torre de um castelo colorido, erguido há pouco com as mãos de um pequeno engenheiro que se entretinha facilmente com suas peças de madeira."

Achei bem ambígua a resposta... Por que não é a letra E?

Lendo com outras palavras:

"Apesar da simplicidade do material incentivava a imaginação e a fantasia dos meninos".

Alguém?

A resposta correta é a "E", segundo a prova e o gabarito disponibilizados pelo próprio QC:

1 - prova - https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fcc-2010-sergas-analista-de-sistemas

2 - gabarito - https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_gabarito/1815/fcc-2010-sergas-analista-de-sistemas-gabarito.pdf

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