Uma mulher de 42 anos desenvolve exantema maculopapular gene...

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Q3950276 Medicina
Uma mulher de 42 anos desenvolve exantema maculopapular generalizado, febre e eosinofilia periférica (1.200 células/µL) após 2 semanas de tratamento com carbamazepina para neuralgia trigeminal. Biópsia cutânea revela infiltração linfocítica perivascular com poucos eosinófilos, sem necrose epidérmica. Testes laboratoriais mostram IgE total normal, mas LTT positivo para carbamazepina. HLA tipagem revela B*15:02 positivo. Considerando os mecanismos de DHRs T-cell mediadas descritos em Pallardy et al. (2024), incluindo associações HLA restritas e o modelo p-i, qual é o mecanismo mais provável para essa reação, integrando evidências de predição genômica em populações asiáticas e baixa sensibilidade de testes in vitro como BAT para reações não IgE?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso é de DHR tardia mediada por células T por carbamazepina: início após 2 semanas, exantema maculopapular com febre e eosinofilia, IgE normal, LTT positivo e HLA-B*15:02 positivo. Esses achados favorecem interação fármaco-TCR/HLA pelo modelo p-i, o que sustenta a alternativa D como correta.

Tema central: DHR T-cell por carbamazepina
Análise das alternativas
A
Errada
Erra o eixo decisivo da questão em dois pontos. Primeiro, troca o alelo relevante do caso: o enunciado fornece HLA-B*15:02 positivo, não HLA-A*31:01. Segundo, apresenta haptenização covalente com expansão Th2/eosinofilia como mecanismo principal, quando a base direciona para modelo p-i em reação T-cell mediada por carbamazepina. A eosinofilia aqui não prova mecanismo IgE/Th2. Além disso, a afirmação de screening HLA-A*31:01 em todos os pacientes não é sustentada pela base.
B
Errada
MRGPRX2 e ativação basofílica não IgE explicam reações imediatas pseudoalérgicas, não exantema tardio com febre, eosinofilia e LTT positivo. O BAT também não é o teste preferencial neste cenário, porque a base indica baixa utilidade de testes como BAT em reações não IgE desse tipo e o caso é T-cell mediado. A proposta de evitar todos os antiepilépticos aromáticos sem avaliação adicional também não decorre da base.
C
Errada
O mecanismo por imunocomplexos IgG com vasculite é incompatível com a histologia descrita, que mostra infiltrado linfocítico perivascular com poucos eosinófilos e sem descrição de vasculite. O fenótipo clínico e o LTT positivo também favorecem DHR tardia mediada por células T, não doença por imunocomplexos. ELISA para IgG específica não é apresentado pela base como método confirmatório para este quadro. A dessensitização em reexposição é tecnicamente inadequada nesse contexto e potencialmente perigosa após reação tardia febril com eosinofilia.
D
Certa
A alternativa D é a única que conecta os achados centrais do caso ao mecanismo imunológico correto. O quadro clínico é de reação não imediata por fármaco, com início em cerca de 2 semanas, febre, exantema maculopapular e eosinofilia, e o LTT positivo sustenta reatividade mediada por células T. A IgE normal afasta mecanismo imediato como explicação principal. O HLA-B*15:02 positivo reforça a dependência de HLA restrito, especialmente relevante em populações asiáticas, e o modelo p-i explica precisamente a ativação de células T por interação farmacológica direta com TCR/HLA sem necessidade de haptenização clássica. Por isso, essa é a alternativa que melhor integra mecanismo, teste funcional T celular e predição farmacogenética.
E
Errada
Reativação viral por HHV-6 e disfunção Treg podem aparecer em discussões sobre DRESS, mas a base deixa claro que esse não é o mecanismo principal exigido aqui. A questão pede integração com associação HLA restrita e modelo p-i, e os dados fornecidos sustentam esse eixo como explicação decisiva. Também não há base para usar monitorização de FoxP3+ em biópsia como preditor validado de progressão neste caso.
Pegadinha da questão
A banca mistura o rótulo 'não IgE' com mecanismos diferentes para induzir confusão: o caso não é pseudoalergia por basófilos/MRGPRX2, e sim hipersensibilidade tardia mediada por células T; além disso, tenta trocar HLA-B*15:02 por outros alelos também ligados à carbamazepina.
Dica para questões semelhantes
  • Se o quadro surge após dias a semanas, com exantema maculopapular, febre e eosinofilia, pense primeiro em DHR tardia mediada por células T, não em mecanismo imediato.
  • LTT positivo e IgE normal favorecem reatividade T celular ao fármaco e enfraquecem hipóteses de IgE ou ativação basofílica como mecanismo principal.
  • Quando a questão trouxer carbamazepina associada a HLA-B*15:02, o eixo decisivo costuma ser restrição por HLA com mecanismo p-i, especialmente se houver menção a risco em asiáticos.
  • Histologia sem necrose epidérmica e sem vasculite ajuda a afastar, respectivamente, SJS/TEN franco e doença por imunocomplexos como explicação principal.

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