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Q1686580 Medicina
Um lactente de 10 meses de vida é levado pela mãe a consulta com alergista pediátrico, com quadro de dermatite atópica (DA) com início das lesões aos 4 meses de vida, quando começou a fazer natação para bebês, e com melhora importante com tratamento tópico prescrito por dermatologista. O desenvolvimento neuropsicomotor da criança é normal, as respectivas curvas de crescimento estão dentro da normalidade, e a criança não apresenta outras doenças. O lactente permaneceu em aleitamento materno exclusivo por dois meses, quando a mãe precisou retornar ao trabalho; ela, então, iniciou fórmula infantil adequada para a idade e suspendeu o aleitamento. Introduziu dieta suplementar aos 4 meses de vida, sem intercorrências, com alimentação variada, incluindo ovo, trigo, soja, milho e peixe. A mãe decidiu, por conta própria, realizar “exames de alergia” na criança e levou à consulta IgE total levemente elevada e IgEs específicas positivas em títulos baixos para ovo, leite de vaca, trigo e milho. Deseja saber se deve retirar tais alimentos da dieta da criança. Ao exame físico do lactente, nota-se a presença de dupla prega de DennieMorgan, com áreas de xerose em região malar, fronte e superfícies extensoras de membros, sem lesões eczematizadas. Quanto aos sinais vitais, verificam-se FC = 100 bpm, FR = 34 irpm, PA = 90 mmHg x 50 mmHg e SatO2 = 99%.


Em relação a esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
Nesse caso, deve-se indicar imediatamente a provocação alimentar, com dieta com exclusão de todos os alimentos para os quais as IgEs séricas foram positivas, com reintrodução gradual em doses crescentes.
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Tema central: O caso aborda a dermatite atópica (DA) em lactente, explorando a relação entre DA e alergia alimentar e a interpretação dos testes de IgE específica em alergologia pediátrica.

Comentário:

O erro mais frequente cometido na prática clínica — e cobrado na prova — é a indicação indevida de exclusão alimentar baseada apenas em testes laboratoriais sem correlação clínica. Neste caso, apesar da IgE específica para diversos alimentos estar baixa/positiva, a criança tolera esses alimentos normalmente na dieta, sem apresentar manifestações clínicas de alergia.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Dermatite Atópica do Ministério da Saúde, a retirada de alimentos só é recomendada quando há clara relação temporal entre ingestão e sintomas alérgicos (p. 43: “A exclusão de alimentos deve ser feita apenas quando há associação clínica consistente.”).

A sensibilização (teste IgE positivo) não equivale a alergia clínica. Muitos lactentes possuem IgE específica positiva para vários alimentos, mas não desenvolvem sintomas ao consumir esses itens — conceito defendido em consensos da Sociedade Brasileira de Pediatria e literatura internacional (UpToDate, Nelson, Braun-Falco).

Riscos de exclusão injustificada: Dietas restritivas sem necessidade podem resultar em déficit nutricional, carência de micronutrientes e comprometimento do crescimento. Além disso, a retirada e posterior reintrodução aumentam o risco de desenvolver alergia verdadeira.

Alternativa correta: E (errado)

Por quê? Não se indica provocação oral e retirada dos alimentos na ausência de sintomas clínicos. Se não há manifestações adversas, não há indicação de dieta de exclusão nem de teste de provocação.

Estratégia de prova: Questões desse tipo tentam induzir ao erro pelo uso de termos ambíguos (“IgE positiva”, “exames alterados”), mas o fundamental é sempre correlacionar a história clínica com exames complementares e lembrar o princípio: “Exame isolado não faz diagnóstico de doença alérgica.”

Resumo: A conduta é não excluir alimentos nem indicar provocação oral sem sintomatologia. Apenas retirar alimentos se houver relação temporal entre ingestão e sintomas. Essa é uma das bases da boa prática em alergia alimentar pediátrica.

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Comentários

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A sentença é errada. A provocação alimentar não deve ser indicada imediatamente neste caso. A presença de IgEs séricas específicas para determinados alimentos pode não significar uma alergia alimentar em andamento. Além disso, o lactente não apresenta sinais clínicos que sugerem alergia alimentar, como diarreia, vômitos ou falha de crescimento e as lesões de dermatite atópica melhoraram com tratamento tópico, o que indica que não está ocorrendo uma reação alérgica atualmente. A provocação alimentar é um procedimento que deve ser feito apenas quando há suspeita forte de alergia alimentar, considerando tanto os achados de exames laboratoriais quanto os sintomas clínicos do paciente. Neste caso, retirar alimentos para os quais as IgEs séricas foram positivas pode resultar em restrições dietéticas desnecessárias para a criança, que podem prejudicar seu crescimento e desenvolvimento.

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