Qual é um achado característico na avaliação do líquido cef...
Gabarito comentado
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Tema central: Toxoplasmose cerebral (especialmente em imunossuprimidos, p.ex., HIV com CD4<100). A avaliação do LCR costuma ser pouco específica; o diagnóstico é principalmente por imagem, com ressonância magnética (RM) mais sensível que a tomografia.
Alternativa correta: C — LCR com pleocitose linfocítica e aumento de proteínas, com a ressonância magnética como método mais comum. No LCR, quando alterado, há leve pleocitose linfocitária, proteína discretamente elevada e glicose geralmente normal. A RM é o exame de escolha por identificar melhor as típicas lesões múltiplas com realce em “anel”, muitas vezes nos gânglios da base, com edema vasogênico. Em prática clínica, o diagnóstico é frequentemente presuntivo (imagem compatível + sorologia IgG positiva + resposta terapêutica em 10–14 dias). Referências: UpToDate; Harrison’s; OMS/CDC.
Estratégia de prova: associe imunossupressão + lesões em anel à toxoplasmose. No LCR, pense em linfócitos e proteína↑ (não neutrófilos, não eosinófilos). Para o método diagnóstico, prefira RM à TC.
Análise das alternativas incorretas
A) “Pleocitose neutrofílica e glicose normal; TC como método mais utilizado.” — Neutrófilos sugerem infecção bacteriana aguda, não toxoplasmose. A TC pode mostrar lesões em anel, mas a RM é mais sensível e preferida.
B) “Glicose elevada e ausência de células; biópsia como padrão-ouro.” — Hiperglicorraquia não é achado de toxoplasmose. Embora a biópsia estereotáxica seja o padrão-ouro, não é o método mais utilizado; reserva-se para casos atípicos ou sem resposta ao tratamento empírico.
D) “Eosinófilos e glicose aumentada; sorologia como principal ferramenta.” — Eosinofilia no LCR sugere helmintíases (p.ex., angiostrongilíase), não toxoplasmose. Sorologia IgG só indica exposição prévia e é comum em adultos; não é a principal ferramenta isolada para o diagnóstico de neurotoxoplasmose.
E) “Hipoproteinemia e BAAR; cultura do LCR.” — Descreve tuberculose do SNC (BAAR/cultura), que cursa com proteína elevada e glicose baixa, não hipoproteinorraquia. Não se aplica à toxoplasmose.
Pegadinhas: confundir com TB meníngea (LCR linfocitário, mas glicose baixa) ou com neurocisticercose (padrão de imagem e clínica distintos). Lembre que o PCR para Toxoplasma no LCR pode auxiliar, porém tem sensibilidade variável e não substitui a imagem.
Dica prática de conduta (contexto clínico): Em HIV com CD4<100, imagem típica e IgG positiva, inicia-se tratamento empírico (p. ex., pirimetamina + sulfadiazina + leucovorina ou SMX-TMP) e reavalia-se clinicamente e por imagem em 10–14 dias; melhora apoia o diagnóstico.
Gabarito: C
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Comentários
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A. LCR com pleocitose neutrofílica e glicose normal, sendo a tomografia computadorizada o método diagnóstico mais utilizado.
Incorreta. A pleocitose neutrofílica (aumento de neutrófilos) no LCR sugere infecção bacteriana aguda (meningite bacteriana). Na toxoplasmose cerebral, a pleocitose é tipicamente linfocítica ou mononuclear. A tomografia computadorizada (TC) é amplamente utilizada, mas a Ressonância Magnética (RM) é considerada mais sensível.
B. LCR com elevada concentração de glicose e ausência de células inflamatórias, com a biópsia cerebral como método diagnóstico padrão-ouro.
Incorreta. A glicose no LCR é geralmente normal ou discretamente baixa (não elevada). A ausência de células inflamatórias não é um achado típico, pois a toxoplasmose causa encefalite (inflamação). A biópsia cerebral é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo, mas é um procedimento invasivo e arriscado, reservado para casos atípicos ou quando há falha na resposta ao tratamento empírico. Não é o método diagnóstico mais comum de rotina.
C. LCR com pleocitose linfocítica e aumento de proteínas, com a ressonância magnética como o método diagnóstico mais comum.
Correta. Este item apresenta os achados mais consistentes e a ferramenta diagnóstica de imagem mais sensível: A encefalite por T. gondii geralmente se manifesta no LCR com pleocitose linfocítica (aumento do número de células, com predomínio de linfócitos/mononucleares) e hiperproteinorraquia (aumento dos níveis de proteínas). A glicose geralmente é normal. A Ressonância Magnética (RM) do encéfalo é o método de imagem de escolha. A RM é mais sensível que a TC, especialmente para detectar as múltiplas lesões focais características da toxoplasmose cerebral (frequentemente com realce anelar, localizadas nos gânglios da base e na junção córtico-subcortical). Na prática clínica, o diagnóstico é muitas vezes feito de forma presuntiva em pacientes com HIV/SIDA com sorologia positiva para T. gondii, quadro clínico compatível e achados típicos na RM.
D. LCR com predominância de eosinófilos e aumento de glicose, sendo a sorologia a principal ferramenta diagnóstica.
Incorreta. A predominância de eosinófilos (eosinofilorraquia) é rara e sugere outras etiologias parasitárias (ex: neurocisticercose, esquistossomose). O aumento da glicose não é esperado. A sorologia é essencial (pacientes com toxoplasmose cerebral geralmente têm IgG positivo), mas as imagens de RM definem a lesão.
E. LCR com hipoproteinemia e presença de bacilos álcool-ácido resistentes, sendo a cultura do LCR o método mais utilizado.
Incorreta. Hipoproteinemia (proteínas baixas) é um achado raro. Bacilos álcool-ácido resistentes são característicos da tuberculose (meningite tuberculosa). A cultura do LCR para T. gondii é complexa e raramente utilizada.
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