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Q3081409 Português
O artigo a seguir serve de base para a questão:

USP usa técnica da ovelha Dolly para fazer transplante de porcos em humanos

Esperança é de que, no futuro, abordagem diminua tempo de espera por um novo órgão.

Reinaldo José Lopes

SÃO CARLOS (SP)

    Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) acabam de inaugurar um laboratório que, com alguma sorte, poderá viabilizar a prática dos xenotransplantes (transplantes de órgãos de animais para seres humanos) no Brasil.
    Médicos, geneticistas e veterinários, entre outros especialistas, usarão o espaço para abrigar porcas grávidas de filhotes geneticamente modificados. As alterações no DNA dos suínos servem para minimizar o risco de rejeição quando seus órgãos forem transferidos para pessoas que precisam de um transplante.
    Os primeiros testes bem-sucedidos já aparecem nos últimos anos em pacientes dos EUA, e a esperança é que, no futuro, a abordagem encurte o tempo de espera por um novo órgão, talvez dispensando, em alguns casos, a necessidade de um doador humano. Antes que isso se torne realidade, porém, é preciso vencer uma gama considerável de desafios técnicos, a começar pela reprodução dos próprios suínos.
   No papel, a abordagem parece simples. O material genético no núcleo de células fetais de porcos é alterado e, depois, transferido para óvulos suínos cujo DNA foi retirado.
   "Estamos usando a técnica que deu origem à ovelha Dolly", resume Mayana Zatz, geneticista do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco da USP, uma das coordenadoras do projeto Xeno BR.
   O problema é que, mesmo quase 30 anos após o nascimento de Dolly, o primeiro mamífero clonado, produzir cópias genéticas de qualquer animal doméstico ainda é um processo complexo. A clonagem sempre envolve o uso de centenas ou até milhares de óvulos para, se tudo der certo, ocorrer o nascimento de um filhote viável.
   "Sabemos que a eficiência é baixa, mas estamos aprendendo que a qualidade das células a serem editadas geneticamente pode ter um papel importante no sucesso", diz Zatz. A equipe está sendo assessorada por Luiz Mauro Queiroz, brasileiro responsável pela criação dos porcos transgênicos (geneticamente modificados) da empresa eGenesis nos EUA. A equipe americana já realizou seus primeiros transplantes suíno-humanos.
    Também ainda não está totalmente claro quantas modificações no DNA são necessárias para que os órgãos de porcos sejam substitutos aceitáveis daqueles doados por pessoas.
[...]
   "Alguns grupos acreditam que seja suficiente silenciar três genes [grosso modo, regiões funcionais do DNA] dos porcos, o que tem sido a nossa proposta. Outros defendem que um só gene poderia ser suficiente ou que seja necessário introduzir genes humanos", diz a geneticista. "Somente com o seguimento dos pacientes a longo prazo será possível responder essa pergunta.
     "O cirurgião Silvano Raia, da Faculdade de Medicina da USP, coordena o trabalho ao lado de Zatz e diz que o objetivo inicial do trabalho é viabilizar um xenotransplante de rim, como já aconteceu nos EUA.
   "Na hipótese de insucesso, podemos retirar o xenoenxerto não funcionante e fazer com que o paciente volte a fazer hemodiálise até que esteja em condições de receber um alotransplante [de um doador humano], para o qual terá uma prioridade que não tinha antes do xenotransplante", explica Raia.
  Esse primeiro candidato a receptor precisará ter condições clínicas para receber o órgão do suíno geneticamente modificado e, ao mesmo tempo, não ter prioridade na lista de espera por um órgão humano. "Os xenotransplantes já realizados de coração e rim seguiram essa conduta.
  "De acordo com Raia, ainda é cedo para dizer se o avanço da técnica vai acabar equiparando os xenotransplantes, em termos de sucesso e riscos, aos feitos hoje com as técnicas convencionais, embora essa possibilidade exista.
   Ao menos por ora, os pacientes que receberem os órgãos suínos deverão ter de enfrentar um esquema imunossupressor mais potente e constante. Ou seja, eles farão um uso mais intenso de medicamentos que controlam o sistema de defesa de seu organismo, para que ele não rejeite o transplante como um corpo estranho.
   "Em consequência disso, a possiblidade de esse paciente se contaminar será maior, sem dúvida. Ele terá de seguir recomendações que evitem ao máximo o contato com fontes de infecção", observa o médico.
    Raia lembra ainda que pesquisas feitas anteriormente no Brasil com candidatos na fila por rim ou fígado que já tinham recebido novos órgãos mostram que 91% aceitariam um xenotransplante suíno caso fosse necessário, taxa superior à de países como a China (75%) e Turquia (43%).

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/05/usp-se-prepara-para-fazer-transplantes-de-orgaos-de-porcos-para-humanos.shtml. Acesso em: 03 mai. 2024.
De acordo com as informações presentes no texto, pode-se afirmar CORRETAMENTE que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de textos. A questão exige análise cuidadosa do texto para identificar a alternativa que expressa corretamente uma informação-chave. O candidato deve buscar coerência entre o que é afirmado nas opções e o conteúdo do artigo.

Justificativa da alternativa correta – E:
A alternativa E afirma que o transplante de órgãos de porcos geneticamente modificados poderá, em tese, diminuir o tempo de espera na fila por um transplante. Observe que o texto cita literalmente: "a esperança é que, no futuro, a abordagem encurte o tempo de espera por um novo órgão". Portanto, há consonância entre a ideia central do texto e o enunciado da alternativa.

De acordo com Cunha & Cintra e Bechara, a interpretação de textos consiste em extrair, de maneira fiel e coerente, as informações dadas pelo autor, sejam explícitas ou implícitas, analisando-as em seu contexto (cf. "Nova Gramática do Português Contemporâneo", "Moderna Gramática Portuguesa").

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta, pois o texto explicita que o esquema imunossupressor após xenotransplante é mais intenso do que nos transplantes entre humanos.

B) Incorreta. Há, sim, uma relação reconhecida entre alterações genéticas nos porcos e a redução do risco de rejeição, conforme descrito: "As alterações... servem para minimizar o risco de rejeição".

C) Errada, por ignorar o trecho que declara a complexidade técnica do processo, mesmo utilizando a técnica de clonagem.

D) Incorreta. O número elevado de embriões demonstra baixa eficiência, não o contrário, pois muitos nem chegam a gerar animais viáveis.

Orientação estratégica:
Atenção a palavras como "esperança", "ao menos por ora" e "no futuro", pois sinalizam uma expectativa e não uma afirmação absoluta. Muitos erros em provas decorrem da confusão entre fatos já comprovados e projeções futuras. Procure sempre confrontar o que está explicitamente escrito com o que está sugerido!

Conclusão: A alternativa E é a correta, pois reproduz com precisão a expectativa descrita no texto. O domínio da interpretação fiel do enunciado é fundamental para evitar armadilhas em questões desse tipo. Continue praticando para reforçar essa habilidade essencial em provas de concursos!

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