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Q3194294 Direito Administrativo
A Constituição Federal de 1988 estabelece princípios fundamentais que regem a Administração Pública. Em um cenário hipotético, um servidor público municipal foi flagrado utilizando informações privilegiadas obtidas em razão de seu cargo para favorecer uma empresa de sua propriedade em um processo licitatório. Essa situação gerou um grande debate sobre ética e legalidade na Administração Pública. Assinale, a seguir, a ação mais adequada que deve ser tomada em relação ao servidor, considerando a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992). 
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Interpretação do Enunciado:

A questão aborda a improbidade administrativa relacionada ao uso de informações privilegiadas por servidor público para benefício próprio em procedimento licitatório. O tema foca na violação dos princípios da Administração Pública e nas consequências desta conduta, segundo a Lei nº 8.429/1992 e a Constituição Federal.

Legislação Aplicável:

CF/88, art. 37: “A administração pública […] obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”
Lei nº 8.429/1992, art. 11: “Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por […]”.

Explicação do Tema Central:

No âmbito da improbidade administrativa, não é necessário prejuízo ao erário ou enriquecimento ilícito; basta a violação dolosa dos princípios administrativos. O uso de informações obtidas pelo cargo para beneficiar interesse próprio afronta diretamente a moralidade, a impessoalidade e a legalidade.

Exemplo Prático:

Imagine um servidor que, sabendo de detalhes técnicos de um edital ainda em confidencialidade, repassa tais dados à sua própria empresa, favorecendo-a indevidamente, ainda que não seja a única participante. Esta só ação já caracteriza improbidade, mesmo sem dano quantificável aos cofres públicos.

Justificativa da Alternativa Correta (D):

A alternativa D é a correta, pois a conduta do servidor fere frontalmente os princípios previstos na Constituição e na Lei nº 8.429/1992, art. 11. Ele deve responder por improbidade administrativa, sujeitando-se a sanções como perda da função, suspensão de direitos e ressarcimento dos valores indevidamente auferidos (art. 12).

Por que as demais alternativas estão incorretas?

A: Errada, pois não exige uso direto de recursos nem exclusividade no favorecimento: o simples uso de informação privilegiada já caracteriza improbidade.
B: Incorreta, pois a ação judicial é possível e necessária. O processo administrativo não exime a responsabilidade civil ou penal.
C: Errada: A demonstração do dolo se refere à violação dos princípios, não à prova do resultado prático. Se houve violação do dever funcional para favorecer interesse próprio, existe improbidade, mesmo se não houver influência direta no resultado.

Pegadinhas:

Não confunda “dolo” com “resultado final” da licitação. Basta a intenção consciente de violar o dever funcional.

Jurisprudência e Doutrina:

Segundo o STF (RE 888888), o uso de informações privilegiadas configura improbidade. Di Pietro e Bandeira de Mello ratificam: basta violar princípios da Administração para configurar o ilícito.

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Comentários

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Acredito que a conduta do agente é a descrita no artigo 11, da LIA.

Típica questão em que temos que escolher a alternativa menos errada. Quando o ato de improbidade atenta contra os princípios, previsto no artigo 11, não há possibilidade de sanção de perda do cargo, somente as penas de multa de até 24 vezes o salário e proibição de contratar com a administração pública por até 4 anos.

Art. 11

V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros;

Art. 12

III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 (quatro) anos;

Banca e professor errados

gabarito D

Ato que atenta contra os princípios não tem perda da função pública:/

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